«The Amazing Spider-Man» (O Fantástico Homem-Aranha» por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
«O Fantástico Homem-Aranha» é bem atuado e, acima de tudo, muito bem dirigido por um Marc Webb que supera o desafio difícil.  
 

No lote de blockbusters de Verão, dominados este ano por super-heróis, o patinho feio bem que parecia ser este «O Fantástico Homem-Aranha» de Marc Webb, por nenhum outro motivo que não zelo e educação perante Sam Raimi, e a trilogia que este assinou nos últimos dez anos.

Parece-me haver aqui alguns pontos curiosos que estão a ser negligenciados nas críticas. Sam Raimi não inventou ‘O Homem Aranha’ e nem sequer foi autor da sua primeira aparição cinematográfica: não estamos perante nenhum ‘remake’. Já o conceito «reboot» também é difícil de gerir. As comics usam e abusam deste conceito há décadas: de «Peter Parker: Spiderman» a «Spiderman 2099», estes heróis reinventam-se ao virar da esquina.

Mais estranho ainda são as excepções: Christopher Nolan “rebootou” Batman apenas 8 anos depois de «Batman & Robin» e escusado será mencionar a implícita reciclagem que a saga «X-Men» foi alvo em «Wolverine» e «First Class».

Por mim, tudo me parece justo. «Batman & Robin» era terrível, «X-Men 3» uma vergonha e, honestamente, «Homem-Aranha 3» dos filmes mais desconsiderados pelos fãs de sempre. A verdade é que, tal como «Batman O Início» e «X-Men: O Início», «O Fantástico Homem-Aranha» faz um esforço enorme por não repetir erros e é, em toda a verdade, um «reboot» muito superior ao material (supostamente) original.

Andrew Garfield e Emma Stone enchem o ecrã de emoção e carisma, de uma forma que Tobey Maguire e Kristen Dusnt não conseguiam. E a verdade é que Marc Webb surpreende na hora de coreografar a ação: o autor de «500 Days of Summer» cria uma experiência 3D limpia, enorme e divertida.

A história surge mais encorpada e com mais espaço para as personagens. Qualquer fã da série original ficou surpreendido como Raimi arrumou Green Goblin e o assassino do Tio Ben logo no primeiro filme – sendo estes a base de décadas do legado ‘Spiderman’. Mas tal como os novos Batman ou a empreitada «Os Vingadores», «O Fantástico Homem-Aranha» vem no conceito de filme de super-heróis moderno: bem produzido, feito como parte de um plano maior e com uma postura de filme grande.

Claro está, há UM problema. O filme passa 70% do seu tempo útil a arrumar a casa, e reorganizar a mitologia e a reconstruir as personagens. No final, ficamos o sabor que tudo isto foi um TPC obrigatório para um «O Fantástico Homem-Aranha» parte 2, 3 e sabe-se lá quantos mais que podem, sem grande dificuldade, duplicar a explosão «O Cavaleiro das Trevas»/«Os Vingadores». Nos dias de hoje, todos os super-heróis são parte de um plano maior.

O Melhor: Os talentos de Marc Webb, Andrew Garfield e Emma Stone.
O Pior: Quando finalmente está tudo reorganizado, o filme termina…
 
 
 José Pedro Lopes
 

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