«The Amazing Spider-Man» (O Fantástico Homem-Aranha» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Em algum momento da história do cinema, por volta dos anos 80, os produtores de Hollywood compreenderam que para manter em funcionamento a verdadeira máquina de fazer dinheiro que eram os filmes baseados em histórias em quadrinhos, bastava repetir uma história mil vezes contada, solicitar umas novidades junto à malta da tecnologia e gastar toneladas de dinheiro em marketing. Para completar a equação, descobriram que dava para ganhar dinheiro não só com os bilhetes, mas a vender tudo o que estivesse à mão de semear, de pipocas a cuecas com o logotipo do super-herói.

No caso em questão, a trilogia de Sam Raimi passou à história, e Marc Webb (“500 Days of Summer”) assume o comando desta nova série, com sequela já programada para 2014. O título vem de originais de Stan Lee dos anos 60 e com esse nome existe uma versão de 1977. O novo elenco traz Andrew Garfield no papel do super-herói, Emma Stone como a mocinha e Rhys Ifans como o vilão.

Neste “novo” episódio, Peter Parker, um jovem inseguro, mas talentoso em matemática, nutre uma paixão platónica pela quase namorada do vilão da escola – rapaz malvado que o espanca; quando investiga a misteriosa herança paterna acaba por ir parar a um laboratório de experimentos genéticos e lá sofre um acidente. Desnecessário dizer o que acontece depois. A partir daí, sai a espancar alegremente (a soltar gritinhos e a fazer troça dos infelizes) os malfeitores de Nova Iorque, não dando abébias nem para uma esquadra da NYPD que ousou atravessar o seu caminho para salvar o mundo! Essa é a cena mais divertida do filme – simplesmente por representar uma estranha falha no rigoroso código moral de Hollywood.

Não vale a pena gastar muitos neurónios para desconstruir as obviedades de mais um fast food high tech, uma vez que, como de costume, o investimento em marketing será enorme e o uso do pensamento racional será mínimo. Os fãs e filmes de ação vão se divertir com os cenários ultra espetaculares e muita pancadaria em 3D nos duelos entre o bonzinho e o malvado – este uma espécie de versão réptil do dr. Jekyll, que de tempos em tempos ouve vozes do seu lado rancoroso e se transforma num lagarto maligno.

Para que ninguém se sinta em terreno desconhecido, há o desfile das inevitáveis pieguices do género – o salvamento de inocentes na ponte, o passeio do super-herói com a donzela deslumbrada pelos ares (felizmente só sugerido), um momento em população ajuda o super-herói, em que até a música parece ter saído de outro filme qualquer. Quando uma professora diz, no final do filme, que em ficção só existe uma única trama possível, bem parece estar a referir-se a esta “amazing” glorificação do óbvio.

O Melhor: os cenários
O Pior: a obviedade de tudo

 
 
 Roni Nunes

 

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