Das brincadeiras com bonecas da primeira cena ao crescimento vertiginoso a que é forçada pelas circunstâncias impostas pela mãe, “Eu Não Sou a Tua Princesa” acompanha o desenrolar de um processo de amadurecimento doloroso, onde além das dificuldades inerentes à chegada da adolescência, ela tem que lidar com a perda gradual daquele que deveria ser o seu principal apoio – e onde a avó, também ela fragilizada pela própria idade, é o único vínculo de estabilidade familiar.
As fronteiras entre arte, pornografia e abuso infantil estão difusas nesta história de degradação familiar e psicológica. O maior impacte do filme está fora dele – fica-se a imaginar a vida da atriz francesa Eva Ionesco a sobreviver emocionalmente à sua infância, tornar-se cineasta e promover essa espécie de “vingança qualificada” contra a figura materna. Essa história, aliás, inspirou outra grande polémica, o filme “Pretty Baby”, de Louis Malle, que causou grande controvérsia em 1978 ao exibir cenas de nudez da pré-adolescente Brooke Shields.
Bem construído, com bom andamento dramático e com excelentes atuações – de Hupert e da novata Anamaria Volontei. Destaque também para a cena com o excêntrico milionário vivido por Jethro Cave, na vida real filho de Nick Cave.


