(Crítica com Spoilers)
Prometheus é um épico de ficção científica a toda a escala, muito bem atuado
Com muita expectativa e especulação, finalmente ‘Prometheus’ chega aos cinemas com todos os seus mistérios. Muitos deles relativos, já que não só ‘Prometheus’ é uma prequela de ‘Alien’ (um segredo escondido com o rabo de fora) como vive com todas as condicionantes implícitas a um prólogo. No entanto, Ridley Scott diverte-se a jogar com as expectativas (quando vemos ou não elementos e regras familiares à saga) e procura escavar um significado filosófico onde antes apenas existia suspense e terror.
No filme, seguimos uma expedição especial que vai até a um planeta remoto, à procura de vida extraterrestre. E rapidamente encontram sinais desta, mas já extinta, num gigantesco monte. No entanto, depressa percebem que não estão sozinhos e que no espaço ninguém os ouvirá gritar.
O primeiro ato de ‘Prometheus’ galga o terreno de ‘remake’, já que o grupo de gente que conhecemos é muito próxima da fatídica viagem da Nostromo (temos a cientista destemida, o cyborg inconstante, o empresário ávido de poder, os cépticos) e o local a que chegam é em tudo familiar: uma gigantesca estrutura no estilo de H.R. Giger com um milhão de mistérios.
Mas ‘Prometheus’ é um filme ambicioso em toda a sua extensão. Quer na vontade de procurar resolver o mistério da existência humana, quer na de criar uma aventura visualmente assombrosa e cheia de emoções. Pode-se dizer que é um filme maioritariamente bem conseguido. Para um ‘thriller’ de ficção científica é muito bem escrito, mesmo que não seja tão profundo quanto pensa. E para uma aventura espacial, é efectivamente um épico. O filme de Scott tem momentos de grande impacto como a primeira tempestade ou a nave que se despenha na recta final; cenas horrorizantes como a cesariana forçada da Noomi Rapace ou os momentos de tensão entre personagens brilhantes, especialmente os liderados pelo cyborg de Michael Fassbender.
A produção do filme é também por si um talento. O design das naves e os cenários são fantásticos, e todo o elenco apresenta-se em máxima forma. Noomi Rapace é mais que capaz de liderar um ‘blockbuster’ americano e Fassbender repete mais um grande papel.
No entanto, há alguns problemas na máquina ‘Prometheus’, a meu ver, provocados por ser um gato que tanto se queria esconder como mostrar. Se durante 70% do filme os elementos de ‘Alien’ fomentam um jogo com o espectador (sangue ácido? criatura que incuba pessoas?), na recta final isto parece contrair o filme. Scott diz que ‘Prometheus’ vive bem fora do mundo de ‘Alien’ mas a mim parece-me que está é a dar-lhe demasiada importância. Ao ponto de o final não ser satisfatório, nem como prequela, nem como filme próprio. Para isto não contribui apenas a indecisão em relação ao seu posicionamento na saga, mas também à materialização excessivamente simplista e redutora do Engenheiro (ou o Space Jockey). Seria de prever que ele fosse muito mais cerebral do que na realidade é, especialmente considerando toda a linha narrativa do filme.
Apenas pormenores que não retiram o mérito de ‘Prometheus’ ser uma invulgar aventura de ficção científica, bem atuada e escrita, com momentos de medo, ação e muita emoção.
O Melhor: Noomi Rapace e Michael Fassbender.
O Pior: A materialização do Engenheiro.
| José Pedro Lopes |

