«Snow White and the Huntsman» (A Branca de Neve e o Caçador) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

«Snow White» combina aventura com fantasia de forma eficaz, saindo defendido por uma vilã muito superior ao que seria de prever.

  

Este ‘Snow White and the Hunstman’ é um filme com um enorme problema de posicionamento. Surge no mesmo ano que ‘Mirror, Mirror’, uma abordagem muito ligeira e supérflua do mesmo conto clássico, e promete ser um filme épico, visualmente assombroso e com lado mais negro da mesma história. No entanto, a escolha de Kristen Stewart para encabeçar o triângulo amoroso Branca de Neve / Caçador / Príncipe deixou-nos a pensar se há uma agenda “Twilightiana” escondida, enquanto que todo o aparato visual de Ravenna e a forma como são apresentados os tais 8 anões da história dá-nos a entender que ‘Snow White…’ pode apenas ser uma pré-‘The Hobbit’ (um ‘Lord of the Rings’ de trazer por casa). 

Este problema de posicionamento (afinal, o que está aqui a oferecer este filme?) cria-lhe uma pequena crise de personalidade. ‘Snow White…’ tem momentos de verdadeira brutalidade – as sequências em que Ravenna drena a vida das jovens – e tem momentos de pura infantilidade – como quando o beijo do homem certo desperta a princesa. ‘Snow White…’ oscila frequentemente de tom, e mais curiosamente, de estilo.

Rupert Sanders adora filmar  Kristen Stewart, e tudo no filme parace construído para termos um plano desta em «slow motion», com um belo ‘flair’ a fazer um recorte à silhueta da atriz. Aliás, «Snow White» vem carregado de planos e momentos que parecem extraídos de um anúncio da Vodafone ou da Sumol, especialmente quando são descobertos cenários novos como a Floresta Negra ou o Santuário.

No entanto, nada disto constitui um real problema para o filme. Há uma grande intermitência de ritmo e de tom, mas a verdade é que o filme tem demasiadas virtudes para ser quer um “sub-Twilight” quer um “sub-Lord of the Rings”. A principal, como já se esperava, é Charlize Theron e a sua assombrosa interpretação como a Rainha Ravenna. De bela e maquiavélica a caquéctica e desesperada, Theron dá tudo no papel e surge fortalecida por uma brilhante gestão de efeitos de maquilhagem e CGI. Ravenna é uma das grandes vilãs de 2012.

Nesta nova versão de “Branca de Neve” dos irmãos Grimm, seguimos a história de Branca de Neve, a verdadeira herdeira do trono, que foge das masmorras – onde Ravenna (sua madrasta, uma feiticeira obcecada com a juventude) a isolou – e esconde-se na Floresta Negra. Um caçador é contratado para a encontrar e trazer de volta, mas este acaba por se apaixonar por Branca de Neve e, com a ajuda de 8 anões (sim, 8 e não 7), ajudá-la a derrotar a Ravenna e a recuperar o trono.

Durante as 2 horas de duração, «Snow White» consegue manter um ritmo de aventura épico e presentear-nos com inúmeros cenários e personagens. Optando mais vezes por efeitos reais do que digitais, os combates do filme são bem mais eficazes do que em propostas recentes semelhantes. como «John Carter» ou «Fúria de Titãs».

Se Theron e Kristen Stewart criam uma grande luta de mulheres, o mesmo não se pode dizer de Chris Hemsworth e Sam Clafin, que apenas parecem estar presente para satisfazer o “target” feminino do filme.


O Melhor: Ravenna de Charlie Theron.
O Pior: Sam Clafin e Chris Hemsworth.
 
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 José Pedro Lopes
 

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