«Men in Black 3» (Homens de Negro 3) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
Divertido e rápido, mais mérito de Will Smith e Josh Brolin, do que de uma produção atabalhoada e um argumento inconstante 
 
 

O principal problema das “sequela tardias” (que surgem mais de 10 anos depois do último filme) é que sabem a sexta-feira à tarde. Os atores estão descontraídos demais, os efeitos especiais são apenas mais ou menos perfeitos e a história é assente nos ombros dos filmes anteriores, carregada de referências.
 
No entanto, “MIB3” sofre pouco deste síndroma, mas não demasiado: Will Smith é um exemplo de profissionalismo em ecrã e dá tudo por tudo para dar vida e diversão a um projecto inerte, e a realidade é que Josh Brolin é uma adição muito interessante à contenda.
 
No filme, um novo vilão surge em Nova Iorque com um plano para destruir a Terra. Recorrendo a viagens no tempo, ele mata K (Tommy Lee Jones) nos anos 60 fazendo com que todo o seu contributo na luta contra ameaças extraterrestres desapareça. J (Will Smith) é forçado assim a viajar para trás no tempo para salvar a Terra e o seu melhor amigo.
 
O primeiro ato do filme é uma nulidade total – sem graça e com dois setups de ação muito pouco interessantes, adicionados de um prelúdio quase inacabável sobre qual é a intriga do filme (sim, aquele miniparágrafo acima). Mas quando Smith toma controlo da ação e “MIB3” mete-se à aventura, é um filme competente, dinâmico e divertido. Em franca verdade, muito superior ao segundo da série.
 
Mas um pouco com a sequela, “MIB3” é na sua essência um filme apenas a 50%. Se no 2º filme Johnny Knoxville foi expulso, forçando o filme a ser re-editado e re-filmado parcialmente, aqui no 3º a falta de um argumento final na hora de filmar fez com que “MIB3” tenha sido refilmado e reeditado. Tudo isto pelo bem no filme, mas a verdade é que notam-se inúmeras pontas soltas na história. A personagem de Emma Thompson muda radicalmente de relevância a certo ponto do filme, e um dos principais problemas que J e K tem se resolver é simplificado com uma coincidência.
 
Pena, pois “MIB3” é melhor que a típica sequela feita numa sexta-feira ao fim-da-tarde, depois de alguém ter lançado aquele boca parva: “E então se metêssemos viagens no tempo?”.

O Melhor: Smith e Brolin.
O Pior: O primeiro ato é inacabável.
 
 
 José Pedro Lopes
 

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