«Intouchables» (Amigos Improváveis) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Omar Sy tem à partida uma enorme vitória pela sua participação em “Amigos Improváveis”. Isto porque foi um dos poucos a conseguir derrotar o “campeão” Jean Dujardin na categoria de Melhor Ator. O prémio ganha maiores proporções por Sy ter saído vitorioso em casa, ao conquistar ao favorito Dujardin o Cesar, prémio entregue pela Academia Francesa de Artes e Ciências Cinematográficas.
 
Baseado em fatos verídicos, “Amigos Improváveis” acaba por ter um ponto de partida tão surreal que só podia ser espelho da realidade. Phillipe (Francois Cluzet) é um milionário tetraplégico que procura um assistente que seja os seus braços e as suas pernas nas tarefas do dia-a-dia. De entre as dezenas de candidatos obviamente qualificados surge Driss (Omar Sy), enviado pelo centro de emprego e obviamente deslocado de toda aquela realidade.
 
No entanto, Driss acaba por ser o escolhido, e é sem surpresa que entre assistente e patrão acaba por surgir a improvável amizade de que nos fala o título. A primeira grande vitória do filme é a forma “normal” como a tragédia do milionário acaba por ser tratada, entre a comédia pincelada de algum humor negro, e o óbvio melodrama que tudo envolve. Aliás, a comparação de “Amigos Improváveis” com o refrescante “50/50” acaba por ser oportuna, mas não nos podemos esquecer o filme acaba por ser desde logo marcado pela crueldade da impossibilidade da cura.
 
É nisto tudo que acaba por fazer sentido a escolha de Driss por parte do milionário. Isto porque Phillipe procura alguém que não corra apenas pelo dinheiro chorudo do salário, nem pela dignidade e humanidade de tratar o pobre enfermo, mas que tente proporcionar-lhe exatamente o que ele procura: a normalidade.
 
É notório o esforço para que o filme escape ao típico drama de fazer chorar as pedras da calçada, e para isso basta que nos recordemos de “Mar Adentro”, o drama de Ramón Sampedro, interpretado por Javier Bardem, um homem que com poucos recursos e em igual situação ambicionava apenas morrer.

Um dos maiores sucessos do cinema europeu dos últimos anos, “Amigos Improváveis” ultrapassou as fronteiras francesas e conseguir liderar a “box-office” em outros mercados, como por exemplo o alemão, e tendo já garantido dois remakes, em Itália e nos Estados Unidos. Para quem procure sair do cinema com uma lágrima num olho, e um sorriso de esperança nos lábios, é certamente uma das melhores propostas em cartaz. 

O Melhor: Omar Sy e François Cluzet estão soberbos. 

O Pior: Alguns “subplots” que nos afastam um pouco da história que realmente interessa, mas nada que afete o resultado final.
 
 
 Carla Calheiros
 

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