«Wanderlust» (O Amor e outras cenas) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Se Judd Apatow fez escola na década passada com as suas comédias superiores à média norte-americana, a verdade é que os seus métodos a esta altura começam a tornar-se um pouco… cansativos – sobretudo quando executados pelos seus “pupilos”. 

“A Melhor Despedida de Solteira” já sobrevivia muito graças a Kristen Wiig. Sem mostrar quaisquer sinais de evolução ou amadurecimento dramático, “Amor e Outras Cenas” é outro produto sub-Apatow, produzido pelo próprio, no qual as múltiplas gargalhadas a ter e algumas interpretações inspiradas não conseguem disfarçar uma profunda inépcia do ponto de vista narrativo  – uma vontade de fazer “mais do mesmo” e baralhar, sem alterar a formação. Se faz milhões, para quê alterar afinal? 

Temos de novo muitas improvisações humorísticas – aqui muito cortesia de Paul Rudd, um “habitueé” destas andanças – em que o que não pega, acaba por ser guardado para os créditos finais, ou então para extra “especial” do dvd a ser lançado daqui a uns meses. E temos de novo humor orientado quer para a sanita, quer para o mais básico que se possa associar ao sexo, misturado com estas improvisações, claro. A própria história parece já um apanhado de sobras e de outros filmes, onde o confronto entre “hippies” e citadinos é tema central. Aqui, um casal de citadinos atingidos pelo desemprego, decide experimentar a vivência numa comunidade rural marcada por valores bastante liberais… 

Falei nas gargalhadas, e de facto, tendo em conta que os tiros no alvo ainda vão sendo bem mais frequentes que o costume, talvez por isso o filme justifique uma ida para os fãs do género que estão a precisar de descomprimir. De resto, é esperar pelo dvd…

 
O Melhor: As gargalhadas que o filme ainda consegue arrancar. 

O Pior: É incapaz de se desviar do “método Apatow” um milímetro que seja. Realização completamente anónima. 
 
 
 André Gonçalves
 

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