«The Devil Inside» (O Despertar das Trevas» por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

A vida de certos filmes é muito curta. ‘The Devil Inside’ foi promovido como o próximo ‘Paranormal Activity’, com os seus trailers arrepiantes e promessas que o que viamos no ecrã era real. Na estreia, o filme conseguiu uns espectaculares 33 milhões de dólares em 3 dias nos EUA (apesar de ter custado apenas 1), mas foi odiado pela crítica e pelo público. O seu final foi considerado o pior final dos últimos anos e muitos até vão ao ponto de dizer que é o pior final de sempre de um filme. Claro está que com o passar das semanas, ‘Devil Inside’ foi de filme antecipado a “overperformer”, a filme odiado 3 filme esquecido.
E é com o perfil de esquecido que chega a Portugal, um perfil mais adequado à sua modesta realidade. É um filme muito barato, não particularmente ambicioso, mas não desastrosamente mau. Não merecia tanta atenção nem positiva nem negativa.
Neste filme “found footage” (ou seja, o que vemos são filmes supostamente reais como em “The Blair Witch Project”, “Rec” ou “Paranormal Activity“) seguimos um documentarista e uma mulher que viaja dos EUA ao Vaticano para conhecer a sua mãe, hospitalizada há mais de uma década por ter morto três pessoas enquanto era exorcizada.
O cinema “found footage” tem muita facilidade em assustar. Comparando com a teatralidade plástica de “The Woman in Black” (que também estreia esta semana em Portugal), este tipo de filme – mal focados, abruptamente editados, crus – conseguem arrepiar com muito pouco esforço. “Devil Inside” tem um bom número de sustos e momentos sinistros para oferecer: a cena de inicio passada em 1989 ou o primeiro encontro com “a mãe” são momentos perturbantes pela sua simplicidade e falta de artificios.
O filme oferece não um, mas dois exorcismos e o impacto de um e de outro são radicalmente diferentes. Se o primeiro é sombrio e inquietante (com alguns momentos de contorcionismo muito bizarros), o segundo é deliberado e excessivamente teatralizado. ‘Devil Inside’ é um filme “found footage” com muitas câmaras e convenientes, e isso prejudica bastante o “feel” realista que tenta ter.
Sendo narrativamente similar a “The Last Exorcism”, o filme sai muito prejudicado pelo argumento mal desenvolvido e o elenco pouco talentoso que tem. Ao contrário do filme de 2010, este “Devil Inside” apresenta muitos sinais de amadorismo quando o terror não está em ação.
Fica a última dúvida: será então o final de “The Devil Inside” o pior de sempre? Não – não é. O filme até tenta ser algo original na sua recta final e percorrer caminho novo, mas não o faz de forma suficiente. Acaba apenas por saber a pouco, muito pouco, mas não oferece nada fora do final insatisfatório, de câmara a cair para o lado, que já vimos em dezenas de filmes do género incluindo, o aclamado “Paranormal Activity”. *
De “O Exorcista” a “Exorcismus”, passando por “The Last Exorcism” ou “The Devil Inside” surge uma dúvida: qual é a motivação para um demónio possuir uma mulher e lá ficar anos a fio? É que nestes filmes eles apenas dizem obscenidades a padres e torçem-se muito, mas não me parece que de facto tenham um plano para além de estar deitados numa cama a espera que lhes atirem água benta.
O Melhor: O primeiro encontro entre mãe e filha.
O Pior: A discussão final no carro, terrívelmente mal atuada.
 
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*NOTA (Com Spoiler): 

 
No final de “The Devil Inside” que é abrupto (como neste género de filmes e com a câmara a ser “desligada”) aparecia uma mensagem que convidava o espectador a visitar o site The Rossi Files para conhecer mais informação sobre o caso. O público americano considerou o final como uma pequena fraude que tentava vender algo e foi alvo de muitas críticas – com inúmeros posts no Twitter (plataforma que lançou ‘Paranormal Activity 3‘ mas que fez com que este ‘Devil Inside‘ caísse a pique do topo da bilheteira depois da estreia.
 
Na versão exibida em Portugal, tudo é igual mas o convite para visitar o site não aparece. O filme corta directamente para as legendas do fim. 
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 José Pedro Lopes
 

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