«The Woman in Black» (Mulher de Negro) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
 

O legado dos fantasmas ingleses é muito, muito grande, até porque o filme mais incontornável do género é “The Innocents”, que Jack Clayton assinou em 1961. De “The Ring” a “The Others”, inúmeras foram as vezes que o cinema nos levou a casas abandonadas e assombradas por mulheres de longos vestidos que se mexiam muito devagar. 
 
No entanto, este herdeiro dessa tradição fantasmagórica britânica recebe aqui um tratamento contemporâneo. Daniel Radcliffe tenta aqui o seu primeiro papel pós-Harry Potter e revela-se um ator muito limitado e pouco natural. Já James Watkins sai de “Eden Lake” para uma produção maior, e deixa toda a sua inspiração sentir-se abafada por tanta convenção. “Woman in Black” é um filme de terror convencional nos sustos e pouco ambicioso em termos narrativos.
 
Nele seguimos Arthur, um solicitador que viaja até ao interior para resolver a herança de Alice Drablow, uma mulher odiada na terra em que vivia. Porém, a sua casa está assombrada por uma mulher misteriosa – a qual parece estar a fazer com que as crianças da região morram de forma misteriosa. 
 
Se Radcliffe não consegue ser um protagonista emocionante, e Watkins raramente consegue elevar o medo acima do terror “boooo!” (o filme tem em seu mérito 2 ou 3 momentos arrepiantes), o maior problema reside ainda em como todo o terreno do “fantasma que quer justiça” soa a familiar e como o filme nem sequer consegue ser suficiente em termos de explicações. Porque o medo funciona melhor em mistério, mas o mistério só levanta curiosidade se fizer sentido, a partir de certo ponto a motivação do fantasma é algo simplória demais.
 
Todos os anos saem mãos cheias de filmes com fantasmas que querem justiça, enterros dignos, criminosos castigados, e que gostam de aparecer de repente para não nada fazer. De “Bag of Bones” a “Zwart Water”, esta é uma abordagem constante. Nenhum deles percebe que o sucesso do modesto “The Innkeepers” é que os humanos que têm de aturar o fantasma, são tão ou mais interessantes que este. Ou que o que faz de “Ringu” um fenómeno de culto é que o fantasma é original e tem uma história por detrás bem trabalhada ou escrita… “Woman in black” apenas nos oferece um herói deprimido contra um fantasma zangado do costume.
 
O melhor: As crianças no meio das árvores.
O pior: Radcliffe não convence. 
 
 
 José Pedro Lopes
 

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