“Contrabando” é o remake americano do filme islandês “Reykjavik-Rotterdam” que poderia facilmente chamar-se “Nova Orleães – Panamá”. No entanto, e se a versão islandesa parecia mais leve e bem-humorada, a transposição para os cinemas americanos, curiosamente pela mão do mesmo realizador, Baltasar Kormakur, torna-se muito mais séria.
O filme pega numa temática batida do especialista reformado que regressa para um último golpe. Desta vez trata-se de Chris Farraday (Mark Wahlberg), um dos grandes do seu ramo mas que entretanto se retirou para ser apenas um pai de família. No entanto, quando o seu cunhado fica em dívida com um perigoso traficante, e a sua mulher e filhos estão na linha de fogo, Chris vê-se na obrigação de aceitar um último golpe para saldar o que deve. Claro que o golpe em si será cheio de peripécias e Chris começará a perceber que tem inimigos ao virar de cada esquina.
Sem trazer o mais original dos argumentos como cartão de visita, “Contrabando” é um filme que acaba por se tornar interessante, sobretudo por grande parte da ação ser filmada dentro do cargueiro.
De entre o elenco, Mark Wahlberg cumpre no papel do herói da ação, o que não é de estranhar, pois já o vimos várias vezes neste registo. De uma forma geral, o elenco cumpre face às personagens que lhes eram propostas. No entanto, é notório que Kate Beckinsale, num papel muito “low profile”, foi pouco mais do que um nome para atrair no cartaz.
Por isso, e para os apreciadores de filmes de ação, “Contrabando” será, sem dúvida, uma das boas propostas em cartaz. Um filme que cumpre os seus objetivos, sem elevar a fasquia além do que lhe era proposto.
O Melhor: Não desilude os apreciadores.
O Pior: Tal como inúmeros remakes tende a perder fulgor na versão americana.
| André Gonçalves |

