Num gesto pouco original, decidi ver o original “Os Homens Que Odeiam as Mulheres” antes desta nova adaptação realizada por David Fincher. Confesso que me faltou ainda assim ler o romance de Stieg Larsson, mas por uma simples análise entre estas duas adaptações, a de Fincher perde muito facilmente por muitas das escolhas que decidiu adotar, quer estas estejam mais próximas da obra de origem ou não (eu pessoalmente duvido que estejam)…
{xtypo_quote_left}para 90% de quem viu a primeira adaptação, este filme soará a nota de rodapé{/xtypo_quote_left}Sim, é certo que esta nova versão não é bem cópia chapada do filme que lançou para o estrelato Noomi Rapace, no papel de Lisbeth Salander, “a rapariga com a tatuagem de dragão”. Palmas para isso. Mas quando a única grande alteração a seu favor é uma sequência assombrosa de créditos iniciais ao som de uma nova versão de “Immigrant Song” a cargo de Karen O com Trent Reznor e Atticus Ross (que fazem um trabalho exemplar aqui na banda sonora, saliente-se também), temos problema.
A ação permanece em Estocolmo aparentemente, e as personagens mantêm os nomes, apesar de falarem todas num inglês, que ora tem sotaque de uma zona, ora tem o sotaque natural dos próprios atores. Tudo bem. Não olhemos a pormenores. Sejamos então diretos e secos, como a personagem de Lisbeth seria: Rooney Mara faz um belo esforço, mas Noomi Rapace fez isto antes e muito melhor (aqui é também fácil culpar algumas pequenas grandes mudanças na narrativa que só simplificam a personagem); e para 90% de quem viu a primeira adaptação, este filme soará a nota de rodapé, com as melhores intenções e a melhor equipa (Fincher é Fincher), é certo. Mas uma nota de rodapé, ainda assim. Claro que se está a ver esta história pela primeira vez, é mais provável que venha a retirar mais daqui. Mas quando vai à feira, para quê escolher um porco coxo, se desengonçado e com a mania, quando se tem um porco-irmão perfeitamente saudável? (Peço desculpa pela analogia a quem é vegetariano, desde já)
O Melhor: A história de origem.
O Pior: As alterações ao primeiro filme serem na sua grande maioria desfavoráveis.
| André Gonçalves |

