Seria fácil avaliar «The Artist» pela sua óbvia nostalgia: é um filme a preto e branco, sem diálogos falados e passado nos anos 20. E se a avaliação de «The Artist» se prendesse ao doce que é podermos viajar a esse passado glorioso do cinema, diria que é um filme perfeito (não posso dizer que o efeito do filme é-me nostálgico porque nasci nos anos 80).
Mas «The Artist» não precisa, ao contrário do que alguns críticos dizem, de se prender ao passado e ao recurso do preto e branco e do cinema mudo, para ter valor. É um excelente filme de 2012, que aborda temas atuais de forma brilhante.
Realizado por Michel Hazanavicius, o filme evoca a Hollywood clássica na transição entre os filmes mudos e os sonoros, seguindo uma estrela do cinema mudo, George Valentin (Jean Dujardin), que com a chegada dos filmes sonoros compromete a sua carreira e vai fazê-lo cair no esquecimento. Mas é ainda enquanto ator famoso, que se cruza com Peppy Miller (Bérénice Béjo), uma jovem figurante, para quem só o céu parece ser o limite.
A mensagem de «The Artist» é a mesma do também brilhante «Midnight in Paris» de Woody Allen: é precisado deixar o passado para trás para conquistar o futuro. Não esquecer o passado, mas não o glorificar de forma ofuscante. George Valentin não aceita o fim do cinema mudo e recusa-se a trabalhar em filmes falados – uma recusa que o leva à miséria e à solidão. E é com rancor que vê como Peppy, que ele lançou, se torna na grande figura do cinema falado (dos “talkies”).
Jean Dujardin e Bérénice Béjo são duas pérolas que animam o filme – dão um lado humano ao que facilmente poderia ser uma abordagem linear ao cinema dos anos 20 – muito graças à realização sensível e comedida de Hazanavicius (que já realizou estes dois atores várias vezes). «The Artist» conta com um pesadelo sonoro por parte do protagonista, um momento bizarro e original. Oferece momentos hilariantes – como a sequência em que o cão vai chamar o polícia – e comoventes na reta final.
Isto porque George e Peppy podem ser personagens de um filme mudo e a preto e branco, mas de alguma forma a sua história ( a forma como é atuada e apresentada) é cheia de cor e vida.
O Melhor: Jean Dujardin e Bérénice Béjo são adoráveis.
O Pior: A sequência em que o artista decide suicidar-se é algo excessiva.
| José Pedro Lopes |

