«Polisse» (Polissia) por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Como o próprio nome pode dar a entender, este é um filme sobre a Polícia, mais especificamente a Brigada de Menores (daí o erro ortográfico, tão encorajador numa língua já tão mal tratada como a nossa). Como qualquer série do género, vemos o dia a dia desta brigada e dos vários agentes que a compõem, as suas vidas privadas e os vários casos com que lidam. Ao contrário dessas séries, o filme não tem o tempo para fazer bem nenhuma das coisas a que se propõe, acabando por ficar episódico, longo e desinteressante.
 
Pondo as questões do tempo à parte, é um filme de moral ambígua e de objetivos míopes: tendo em conta todas as questões da exposição das crianças, da sexualização precoce destas na cultura ocidental, da violência doméstica, das pressões para consumos, quer de acessórios, quer de narcóticos, da normalização intragrupal quase violenta e outros, o filme acaba por servir mal o tema que aborda, nem raspando a superfície do que se apercebe muito complexo. Resolve-se ficar pelos polícias e pelas suas vidas, mas até aí é um filme medíocre, com cenas absurdas como a de um aborto ou a de um suicídio em que se percebe que algo correu muito mal na produção deste filme ou que quem o fez não fazia ideia da arte.
 
É um filme que podia ter sido muito melhor, tendo em conta o tema, que se parece aos primeiros episódios de uma série policial cancelada de tão má que era. Tanto as crianças como os polícias mereciam melhor.

O Melhor: O conceito.
O Pior: A moral duvidosa e as cenas absurdas.
 
 
 João Miranda
 

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