«Impardonnables» (Imperdoáveis) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

André Techiné, cineasta responsável por duas das maiores obras-primas da década de 90 (“Os Juncos Silvestres” e “A Minha Estação Favorita”), está de regresso. Infelizmente, não é desta que volta aos bons velhos tempos. De facto, “Imperdoáveis”, ao contrário das suas obras maiores, revela-se muito disperso, e sem uma história coesa ou significante para contar. 
Podemos no entanto dizer que se trata de um escritor que se muda para Veneza para ganhar inspiração para o seu próximo livro e se apaixona pela sua agente imobiliária (aqui interpretada pela mítica e muitíssimo bem conservada Carole Bouquet), e acabam por se casar. Passa-se ano e meio, e a filha vem visitá-lo com a neta, para depois desaparecer (presumivelmente com um traficante). O escritor contrata uma detetive privada já reformada, ex-namorada da agente imobiliária, para seguir o rasto da filha. Contrata também o filho desta, saído recentemente da prisão, para seguir a mulher. Dito assim, até parece que se passa muito neste filme. Porque é que ao fim de duas horas tudo parece tão vazio e irrelevante então? Será o livro, do qual partiu este filme, também assim? É que algures pelo caminho, dá a impressão que Techiné se perdeu ali no rio com o seu barquinho, e vai agora remando para a direção que mais parecer acertada. 
É pena, porque o filme revela ainda um charme desarmante a pontos, quando não nos está a testar já a nossa paciência com os múltiplos falsos finais. As interpretações são todas elas irrepreensíveis, e as personagens em si revelam ambiguidades deveras curiosas, assim como certos diálogos nos remetem para os tempos áureos dos filmes acima citados. Se ao menos houvesse um filme com cabeça e pés (acima de tudo cabeça) a ligar isto tudo… 
O Melhor: algumas personagens deveras interessantes (e alguns diálogos marcantes);
O Pior: a ausência de uma história que as encerre.
 
 
André Gonçalves
 

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