Luc Besson, é mesmo o senhor? Do realizador francês mais internacional de todos, aprendemos a esperar o mais rebelde, operático e cinemático dos espetáculos… Com este “The Lady”, “biopic” pintado por números e posteriormente embalsamado da “dama de ouro” Aung San Suu Kyi, o sentimento geral é de uma profunda repetição e conformidade formal. Já vimos visto. Demasiadas vezes. E de forma bastante melhor. O próprio Besson já nos tinha dado um “biopic” de uma outra heroína famosa de uma forma bem mais inconformada e apetitosa, com “Joan D’Arc”.
“The Lady” vai-nos narrando, de forma bastante pedestre (e simultaneamente mantendo-se imóvel), os anos de oposição popular ao regime militar birmanês, liderado por Aung San Suu Kyi, que conduziu a um justíssimo Prémio Nobel da Paz em 1991, em condições especiais (a ativista encontrava-se em prisão domiciliária, não podendo receber o prémio pessoalmente…).
Michelle Yeoh veste aqui a pele desta ativista política que a certo ponto vê-se dividida entre a família no estrangeiro e os direitos civis do seu país. É um retrato arrepiante de colagem física mas também de construção de um caminho que nos permita perceber minimamente esta mulher dotada de uma humanidade acima da média, que não está livre dos seus pecados, e nunca se quis meter num pedestal – simplesmente soube chegar-se à frente. É caso para dizer que tanto a figura de Aung San como a atriz mereciam filme melhor.
O Melhor: Michelle Yeoh, de longe.
O Pior: Trata-se de um “biopic” pintado por números. Não esperar nada de propriamente inovador aqui.
| André Gonçalves |

