«Sherlock Holmes: A Game of Shadows (Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Que pena o Sherlock Holmes de Guy Ritchie não ser tão astuto e inteligente como o que recordamos (dos livros de Sir Arthur Connan Doyle) – esse Sherlock Holmes teria declarado o argumento deste “Jogo de Sombras” elementaríssimo, e resolvido o tão difícil caso de reunir provas em três tempos. E aí não teríamos que aturar duas horas de realização masturbatória e altamente irritante do “enfant terrible” britânico, que vive ainda no século passado, e usa e abusa da “câmara lenta” até à exaustão, como se nos estivesse a apresentar a maior novidade da sétima arte. Pior, o argumento é debitado nestas cenas de ação explicando tintim por tintim o que é que este Sherlock fez para mais uma vez salvar o dia. E aqui cabe tudo: desde truques de MacGyver à pura luta ao estilo de Chuck Norris. Embaraçoso nem chega para descrever o que se assiste aqui. 
Se sobra algo de positivo? Sim, existe uma ou outra surpresa, como a audácia de matar uma certa personagem secundária – que é contudo praticamente sabotada, e tratada com uma indiferença confrangedora. E existem ainda restos de humor no meio dos destroços causados por Ritchie, quer a cargo da interação Holmes-Watson, quer com a presença de Stephen Fry no papel de irmão de Sherlock.
Saímos deste “Sherlock Holmes” com vontade de arranjarmos também nós uma injeção daquele produto tão mágico que reanima qualquer coisa. 
O Melhor: Alguns momentos de comédia que sobrevivem na interação Holmes-Watson, e na presença de Stephen Fry no papel de irmão de Sherlock. 
O Pior: A realização irritante e convencida (no pior dos sentidos).
 
 
 André Gonçalves
 

Últimas