«My Week With Marilyn» (A minha semana com Marilyn) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
Nos muitos filmes que já vi, nunca encontrei uma presença tão incandescente e genuína capaz de por si só justificar o visionamento de um filme como Marilyn Monroe. Ninguém poderá substituí-la, ou interpretá-la, sem sentirmos uma ponta de frustração. 
Michelle Williams, não sendo Marilyn, nem nunca podendo ser, tem no entanto aqui uma tentativa corajosa e que paga dividendos até ao mais céptico dos críticos que possa ter descartado a sua escolha para este preciso papel inicialmente. Eis uma performance altamente estudada, sim, mas ao mesmo tempo autêntica (ao abrir um portal directo para o mundo interno da loira mais famosa do cinema e ao canalizar as suas inseguranças na perfeição), e repleta de carisma, que vale todo um filme – esse sim imemorável e igual a tantos outros. 
O realizador Simon Curtis vem da televisão e do mundo dos telefilmes e mini-séries, e infelizmente, não o disfarça muito bem, embora saiba ao menos olear o filme de modo a minimizar tempos mortos (o filme tem uns muito bem medidos e nada aborrecidos 99 minutos – a duração ideal para um filme com estas bases). Mas será difícil olhar para a produção de grande qualidade supervisionada pelos irmãos Weinstein e até para outras performances (nomeadamente de Kenneth Branagh, Julia Ormond, da veteraníssima Judi Dench aqui a picar o ponto, e do jovem Eddie Redmayne) quando em todos os momentos que entra, Williams rouba-nos toda a atenção, tal e qual como Marilyn fazia. O filme tem assim a sorte de ter uma das actrizes do momento naquele que será certamente um dos seus grandes momentos da carreira, cuja premiação com o galardão máximo da Academia de Hollywood será o desenvolvimento mais natural, num ano também ele composto em grande parte por performances memoráveis em filmes que deixaram muito a desejar. Abram alas: a grande actriz finalmente se tornou numa grande estrela. 

O Melhor: Michelle Williams, para que não haja dúvidas. 
O Pior: O filme nunca se soltar das amarras do “biopic” quase em formato telefilme. 
 
 
André Gonçalves
 

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