Roman Polanski já tinha ido buscar ao teatro uma história passado num local e com um conflito entre várias personagens: foi em 1994 com ‘Death and the Maiden’, filme que contava com Sigourney Weaver e Ben Kingsley num duelo inesquecível. O talento de Polanski na hora de gerir grandes actores e grandes diálogos (o material de origem de ‘Carnage’ e os actores são tão bons que a tarefa é mais gerir que outra coisa) é notório, mas ‘Carnage’ estará sempre destinado a ser menos relevante e impactante que o filme que em Portugal se chamou de ‘A Noite da Vingança’.
A piada de ‘Carnage’ passa pelo exagero desproporcional da situação e os espectadores, tal como as personagens, chegam ao fim a pensar como podem estes dois casais ser tão parvos e exagerados.
{xtypo_quote_left}’Carnage’ tem quatro actores fantásticos e diálogos brilhantemente imaginados – mas não consegue ser uma experiência cinematográfica totalmente satisfatória. {/xtypo_quote_left}Jodie Foster, John C. Reilly, Kate Winslet e Christoph Waltz discutem e espezinham-se de forma realista, humana e desprezível durante esta hora e meia de diversão e reflexão. As suas atitudes são extremas mas realistas: efectivamente a sociedade ocidental, portuguesa ou americana, está dominada por uma forma de estar confortável e burguesa, onde o destino do Mundo parece ser decidido mais em conversas redundantes do que em atitudes. ‘Carnage’ chega a ser delirante e a dar vontade de nos por a rir às gargalhas no chão. Especialmente porque Waltz não pára de atender o telemóvel.
No entanto, ‘Carnage’ falha onde ‘Death and the Maiden’ crescia. A redundância de tal confronto confinado faz com que o filme perca energia na sua conclusão e ofereça um final sem desfecho e deveras insatisfatório. Não temos um grande confronto nem uma explosão derradeira de emoção e de verdades – apenas uma constatação, ela própria algo redundante, de que nós no Mundo dito civilizado somos muito, mas muito parvos.
O Melhor: Jodie Foster.
O Pior: Perde energia na recta final.
| José Pedro Lopes |

