Já longe do tom ingénuo e até enternecedor do primeiro filme, este quarto capítulo da saga aposta em… bem, diálogos e situações cada vez mais confrangedoras – como diálogos entre lobos a lembrarem “Scooby Doo” e que fazem rir mais que qualquer paródia que se possa fazer sobre este filme.
Em causa está até uma ideia potencialmente interessante de um ponto de vista dramático, e que faz pelo menos avançar a história: um bebé entre Bella e o vampiro Edward, que pode ser uma autêntica “semente do diabo”. Só que a resolução dessa ideia é espalhafatosa, nunca encontrando o tom certo. Além de que, mesmo dando a papinha toda ao espectador via exposição de qualquer ideia possível que haja por ali entre as personagens, este espectador ficou com a sensação de que o risco de continuar aquela “gravidez difícil” não é propriamente recompensador. Onde estão as vantagens reais, depois do que nos é dito inicialmente? E se Bella, em última instância, sabe quase de certeza que vai precisar de uma transformação, porque não transformá-la logo? Enfim… são questões que ficam. Estes criticismos advirão muito provavelmente já do romance de Stephanie Meyer, é certo, mas ainda assim uma adaptação teria a obrigação de saber o que não pode resultar tão bem no grande ecrã.
Além destes problemas, “A Saga Twilight: Amanhecer” é um filme desnecessariamente partido, um resultado de fazer render o peixe até só restar vestígios de espinhas. Esta é uma história que se contava facilmente num episódio de uma série, com menos de uma hora. Economia narrativa e subtileza são conceitos totalmente estrangeiros para o pessoal que trabalhou aqui, e é ultimamente desapontante ver o mesmo Bill Condon do magnífico “Deuses e Monstros” feito tarefeiro, numa realização anónima e apagada, mesmo que sem grandes falhas (estas concentram-se bem mais num campo narrativo).
Nota positiva no entanto para um elenco bem acima de outros talentos criativos, que pelo menos está a enraizar as suas personagens, e que ainda vai dizendo ali linhas com um tom sério que muitos não conseguiriam…
“A Saga Twilight: Amanhecer” não deixa de ser um filme recomendável para quem leu as obras, ou para quem é fã da saga. Esses claramente vão encontrar qualidades nas suas falhas. Os outros, podem passar à frente, e ver ou rever “True Blood”, de longe a melhor obra a ter surgido neste revivalismo das histórias de vampiros.
O Melhor: A vontade de expandir o universo da saga.
O Pior: A maneira tosca que se arranjou para concretizar essa vontade.
| André Gonçalves |

