«As Aventuras de Tintin – O Segredo do Licorne» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)
 

(versão 3D original)

Tintin é conhecido mundialmente, mas sobretudo na Europa. É curioso que sejam um americano e um neo-zelandês a pegar nesta personagem e trazê-lo para o cinema, mas com a experiência que têm, as expectativas para este filme eram altas, ainda por cima tendo em conta que é uma personagem tão querida e tão polémica. Sem estragar a personagem, tentando introduzir algum interesse romântico ou qualquer disparate semelhante, este Tintin que nos é trazido pela mão de Spielberg e Peter Jackson é essencialmente o Tintin que Hergé criou, com algumas pontas politicamente incorrectas aparadas.
 
Tomando algumas liberdades com a história original, há um esforço de manter pelo menos a fidelidade às personagens originais. A história é essencialmente a de “O Segredo do Licorne”, mas dá a ideia que se tenta introduzir muito do mundo criado por Hergé, com algumas opções feitas a pedirem grandes saltos de imaginação e afastando a narrativa de uma investigação para aproximá-la da estrutura de um jogo, com níveis, jogo esse que parece estar nas calhas, segundo anúncio da EA. Se a história perde alguma consistência com essa opção, por outro lado permite a Spielberg e Jackson montar cenas delirantes de perseguições e acidentes, utilizando a tecnologia 3D para aumentar esta sensação.
 
Q{xtypo_quote_left} Apesar das falhas na história e escolha um bocado perturbadora de representar personagens animadas de forma realista, o filme é um bom entretenimento{/xtypo_quote_left}uanto à tecnologia em si, por vezes surgem na internet desenhos ou representações de personagens animadas conhecidas, quer de forma realista, quer na forma de um estudo anatómico, realçando o absurdo de muitos destas personagens e o seu irrealismo. É um exercício interessante, mas no final todos perdoamos porque percebemos a diferença entre as personagens animadas e a realidade. Neste caso, a opção de representar realisticamente as personagens é arrepiante (num mau sentido, entenda-se), tornando-se muitas vezes distractora, tendo sido preferível se tivessem efectuado um live action ou se assumissem mais a natureza animada das personagens.
 
Apesar das falhas na história e escolha um bocado perturbadora de representar personagens animadas de forma realista, o filme é um bom entretenimento, melhor do que muitos dos blockbusters que por vezes enchem as nossas salas, tendo hipótese de se redimir nas sequelas que se antevêem. Esperemos que sim, Tintin merecia melhor.
O Melhor: A fidelidade às personagens em si.
O Pior: A representação realista de personagens animadas.
 
 
 João Miranda
 

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