«This is not a film» (Isto não é um filme) por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Enquanto espera, em prisão domiciliária, o resultado do apelo da sua sentença de 6 anos de prisão e de 20 de proibição de escrever ou realizar filmes, Jafar Panah, tenta documentar a sua frustração e as dificuldades que afligem os realizadores iranianos. Para isso, chama um amigo e tentam fazer algo, que ressalvam sempre que não se trata de um filme, por causa da proibição. É um vislumbre do processo criativo de um realizador e das preocupações, estéticas, técnicas e humanas, envolvidas.
 
{xtypo_quote_left} Como o próprio título o diz, isto não é um filme, é um esforço de registar a vontade de se fazer filmes e de isto ser proibido. {/xtypo_quote_left}Se algumas pessoas abandonaram a sessão, acredito que foi por esperarem algo diferente, mas há que perguntar-nos: com um título assim e sob prisão domiciliária, como poderia ser diferente? Ainda assim, Panahi e o seu cúmplice Mojtaba Mirtahmasb conseguem fazer um filme com uma honestidade desarmante, acessível a qualquer pessoa, sem ter de se passar pela prisão.
 
Como o próprio título o diz, isto não é um filme, é um esforço de registar a vontade de se fazer filmes e de isto ser proibido. Dedicado a todos os realizadores iranianos, a mensagem facilmente se espalha a qualquer país onde a liberdade de expressão está em cheque ou sujeita aos critérios de poucos.
O Melhor: A honestidade.
O Pior: Por vezes dá a ideia de ser encenado, o que não lhe tira a força.
 
 
João Miranda
 

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