«Angèle e Tony» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
Angèle é uma mulher em liberdade condicional que precisa de refazer a sua vida; Tony é um pescador humilde que toma conta da sua mãe após a morte do seu pai. Conhecem-se através de um anúncio. Inicialmente tudo indica um típico engate, até porque começamos o filme de um modo “agitado”. Mas não, Angèle procura mesmo uma nova vida, e tenta a comunidade piscatória onde Tony trabalha e vive para tal. Entre ter que distinguir vários tipos de peixe e saber tirar-lhes as tripas, a jovem de 27 anos tenta ainda ganhar a custódia do seu filho Yohan, actualmente a viver com os avós paternos.  
{xtypo_quote_left}Uma primeira obra curiosa, com um forte foco nas relações (e contradições) humanas. {/xtypo_quote_left}Enésima variação sobre o filme de “mulher com passado”, “Angèle et Tony” é ainda assim uma primeira obra curiosa, com um forte foco nas relações (e contradições) humanas. A realizadora Alix Delaporte certifica-se que o seu próprio argumento encontra-se sempre mergulhado de um realismo social, que em boa verdade acaba por fazer melhor que pior. Mas há espaço também para fantasias, que podem implicar ou não metáforas – a exemplificar isso, temos os minutos finais da película. Afinal, isto ainda é cinema.
O destaque vai aqui todo para os actores, sobretudo os dois protagonistas – os actores Clotilde Hesme e Grégory Gadebois – que conferem complexidade e realismo extra a estas duas personagens, e à relação que desenvolvem. 
O Melhor: Angèle e Tony, ou Clotilde e Grégory. 
O Pior: Não há nada aqui que fique para a história, ou que seja minimamente inovador. Apesar de começar um filme com uma cena de sexo ficar sempre bem.  
 
 
André Gonçalves
 

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