«Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2» (Harry Potter e os Talismãs da Morte – Parte 2) por João Miranda

(Fotos: Divulgação)
Dez anos após o lançamento do primeiro filme, chega agora ao final a adaptação ao cinema de uma das séries de livros com maior sucesso nos últimos anos. O oitavo filme da série, este é um filme para quem a seguiu e já está convencido desde há uns filmes atrás, procurando recompensar os fãs e dar um fim apropriado a um fenómeno comercial e cultural sem precedentes na sua transversalidade e longevidade.
 
Apesar dos filmes iniciais terem sido filmados por realizadores diferentes, a escolha de David Yates para realizar os quatro últimos deu a solidez necessária à recta final da série (ainda que pessoalmente prefira a estética e a realização do “Prisioneiro de Azkaban” de Alfonso Cuarón). Outro dos pontos fortes desta saga foi a escolha e persistência com os actores escolhidos, permitindo uma ligação emocional com as personagens, vendo-as crescer (e muito) com a história, a tal ponto que este poderá ser um estigma que poderá segui-los toda a sua carreira. Seguindo, portanto, a estética dos últimos filmes, apoiado na representação sólida dos actores e tendo atado a maior parte das pontas soltas no filme anterior, Yates vê-se aqui com a liberdade de se poder concentrar no final apoteótico que J. K. Rowling imaginou. 
 
{xtypo_quote_left}O fim merecido para uma série que marcou uma geração {/xtypo_quote_left}Durante todo o filme há referências aos episódios anteriores, percorrendo-se toda a série de uma forma a que, ainda que a vitória seja esperada pelo espectador (trata-se de uma série infanto-juvenil), esta acarrete com ela grandes perdas e sacrifícios dos personagens, unindo a nostalgia à acção. Se houve quem se queixasse da falta de acção do último filme, onde a luta contra o Mal era mais abstracta, neste ninguém o poderá fazer: criaturas fantásticas, explosões, lutas, o filme está cheio de acção, focando-se na batalha de Hogwarts e na luta final entre Harry e Voldemort.
 
O único problema com o filme é o mesmo do livro: há uma cena perto do final que não vai agradar a todos, não chegando para estragar o prazer da série, mas que se traduz num final um pouco desconcertante e na sensação de que não se queria acabar com um amargo de boca (ou talvez Rowling quisesse assumir proporções bíblicas, quem sabe?). Não é o suficiente para tornar mau o final de uma magnífica série, um esforço monumental que incluiu milhares de pessoas e que nos acompanhou, a todos os que seguimos os filmes, durante dez anos.
 
O Melhor: Alan Rickman e o seu inesquecível Snape.
O Pior: a fidelidade ao livro revela-se, neste caso, infeliz.
 
 
João Miranda
 

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