«The Conspirator» (A Conspiradora) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
Poderá o género “drama de tribunal” ter ainda algo a dizer? No caso de “The Conspirator”, a resposta é um rotundo sim. O filme relata a história verídica do julgamento de Mary Surratt, acusada de ter colaborado na conspiração para assassinar o presidente Abraham Lincoln. 
Robert Redford, prestes a completar três quartos de vida no próximo mês de Agosto, sempre foi um cineasta fiel a um tom clássico, mesmo quando os seus colegas se viravam mais para novos paradigmas. Aqui não é excepção. À partida tudo parece mais do mesmo, e um drama de duas horas com acção a decorrer maioritariamente num tribunal parece ser tão excitante como ver tinta secar. Mas isto é porque já não temos muitos realizadores como Redford, capazes de cativar o espectador com “pormenores” muito simples, como boas histórias e personagens ambíguas para começar, operando em moldes muito reconhecíveis, e fazendo sabe-se lá como, do “clássico” e “reconhecível” um ponto forte a seu favor. (Só Clint Eastwood me vem à memória assim de repente, como ponto de comparação, curiosamente outro actor que se tornou realizador…). Já tinhamos visto isso em filmes brilhantes como “O Encantador de Cavalos” e “A Lenda de Bagger Vance”. “The Conspirator” não chegará propriamente a esses níveis, mas para o que se propõe, é um sucesso inegável. Ironicamente, o fundador do Sundance Institute permanecerá ainda o mais alternativo dos cineastas. E digo ironicamente, porque o “convencional” passou a ser de facto o novo alternativo a partir de um certo ponto na história. 
{xtypo_quote_left} uma excelente escapatória para quem considera que a “silly season” não tem que ser menos inteligente que as outras temporadas{/xtypo_quote_left}Não há aqui planos propriamente inovadores, ou novas perspectivas. Temos simplesmente uma história bem contada, de uma forma didáctica, mas nunca condescendente, e que servirá plenamente como documento histórico para gerações futuras.  
Com a mão sóbria de Redford, e a presença de um forte e conhecido elenco, no qual se tem de destacar Robin Wright no papel de Mary Surratt, “The Conspirator” é uma excelente escapatória para quem considera que a “silly season” não tem que ser menos inteligente que as outras temporadas. 
O Melhor: Os actores. 
O Pior: Sentirmos que apesar de tudo funcionar q.b., não faria mal nenhum termos alguma invenção narrativa. 

 
 André Gonçalves

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