Uma casa cheia no Centro Multimeios de Espinho recebeu ontem o regresso do FEST e a estreia nacional de «Hanna» de Joe Wright. A antecipação em torno deste ‘thriller’ era muita: desde a banda sonora dos Chemical Brothers à realização estética e acertada de Wright (‘Atonement’), o filme prometia acção e emoção numa reinvenção de ‘O Fugitivo’ mas com uma jovem e angelical Saoirse Ronan em fuga de uma implacável Cate Blanchett.
Para bem e mal do filme, as suas virtudes técnicas e estéticas não podiam estar melhores e mais acertadas. Wright impõe um ritmo incansável ao filme, e enche as cenas de acção de imagens fortes e uma coordenação fantástica. A banda sonora de Tom Rowlands e Ed Simons é uma obra por si própria e encaixa perfeitamente no filme: por vezes, até o domina.
Em “Hanna” seguimos uma adolescente (Saoirse Ronan) que foi treinada pelo seu pai, um ex-agente da CIA (Eric Bana), para ser a assassina perfeita. É na caça ao seu alvo principal que os segredos serão revelados sobre a sua vida e ela questionará a sua humanidade. Para além de Ronan e Bana, Cate Blanchett também participa na obra como uma impiedosa agente que tenta a todo o custo travar a assassina.
{xtypo_quote_left}«Hanna» é um ‘thriller’ do mais “cool” possível, com duas grandes actrizes a enfrentarem-se vezes e vezes sem conta, para nos distrair da falta de narrativa. {/xtypo_quote_left}Se as componentes de acção e emoção estão ao mais alto nível com a dupla Wright & Chemical Brothers, o elenco apenas serve para fortalecer o confronto. Saoirse Ronan é uma prometedora actriz, a sua Hanna equilibra perfeitamente a figura ingénua e mortífera que se precisa. Cate Blanchett é tão competente como se espeava: a sua interpretação de uma agente fria e algo sarcástica é perfeita e conquista as cenas onde aparece. Só Eric Bana é que parece abaixo do que seria de espera de um filme que vive tanto da intensidade das personagens.
Mas para os males de todos estes valores, «Hanna» é também um filme mais superficial do que seria de prever. A evolução narrativa do filme é nula, e as surpresas finais que tem para oferecer são aquelas que se esperavam ver a meio do filme. A confrontação final entre Ronan e Blanchett parece ser apenas mais uma, porque o filme quase nunca se eleva acima de um produto com mais forma que conteúdo.
Um destaque muito especial para o actor Tom Hollander (‘O Solista’), a surpresa do filme. Apesar de ser um vilão secundário, ele enche este ‘thriller’ soturno de diversão e de “non-sense” muito especial, reminiscente de um Alexander DeLarge de «A Clockwork Orange».
O Melhor: Wright e os Chemical Brothers são incansáveis na hora de estilizar e ritmar a acção.
O Pior: A história é muito linear e isso ressente-se no acto final.
| Jorge Pereira |

