Se há uns séculos se pensava que quem ia à guerra eram os homens, estas últimas décadas têm mostrado que não é bem assim. “Quem Vai À Guerra” é um documentário que recusa essa velha falácia e mostra um dos lados ignorados da guerra: as mulheres. Centrada na geração que viveu a Ditadura e a Guerra Colonial, Marta Pessoa desenvolveu uma estrutura baseada na participação das mulheres que entrevista: as que ficaram, as que foram, as que participaram e as que viveram com ex-combatentes. Explorando as suas vivências e o que estas sabiam, as narrativas apresentadas vão revelando, como um negativo, os diversos graus de ignorância, acentuados pelo obscurantismo da Ditadura, pela distância entre Portugal e a diversas frentes, pela falta de conhecimento médico e pelo silêncio de anos.
É um documentário teatral, com um cuidado e uma atenção prestados ao cenário que se aproxima da cenografia usada nesse meio, perante os quais as participantes vão relatando as suas experiências. Entrecortado com fotografias escolhidas por elas em interacção com a realizadora, o filme consegue invocar fantasmas de um tempo diferente, de um mundo diferente.
É, pela própria definição, um filme feminista, mas a sua força está na forma como evita posições polémicas ou ideológicas (para além da óbvia posição anti-guerra) e se foca na força e na experiência destas mulheres, que se devem espelhar em muitas outras da mesma geração. Um filme que poderá ressoar em muitas pessoas que, directa ou indirectamente, já passaram por guerras e especialmente da geração que sobreviveu à Guerra Colonial, a quem é dedicado o filme.
O Melhor: A estrutura do filme, os cenários, as enfermeiras pára-quedistas.
O Pior: A iluminação nem sempre é a melhor.
{xtypo_quote}Um filme a ver para interessados nos temas das mulheres, da Guerra Colonial ou de documentários. {/xtypo_quote}
| João Miranda |

