«X-Men First Class» (X-Men: O Início) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

A saga ‘X-Men’ tem sido inconstante no cinema: se ‘X-Men’ e a sequela ‘X2’ de Bryan Singer são dos melhores filmes de super-heróis algumas vez feitos (rivalizando com os Batman de Christopher Nolan), a terceira entrega assinada por Brett Ratner é um completo e absoluto desastre. O que era uma saga épica, com personagens interessantes e carismáticas e um sentido de relevância dramática, tinha passado a ser uma mera manifestação idiota de efeitos especiais e dramatismo barato. Pior ainda, o terceiro filme mata quase todas as personagens e fecha sem retrocesso a saga.
 
Sem soluções, os ‘X-Men’ seguintes têm de ser prequelas. ‘Wolverine’ ´da o show a Hugh Jackman, um dos valores mais garantido da série, e recruta actores interessantes como Ryan Reynolds (‘Green Lantern’), mas infelizmente é um filme grosseiramente desorganizado. Este 4º filme conta com alguns momentos com o espírito da “equipa de heróis” que gostámos nos 2 primeiros filmes, mas depressa se tornava numa história de vingança feita à martelada.
 
{xtypo_quote_left}’X-Men First Class’ tem toda a energia dos filmes iniciais de série – dramático, épico e intenso {/xtypo_quote_left}As expectativas para a história sobre a origem do Professor Xavier e de Magneto só poderiam ser muito baixas, especialmente depois dos últimos dois filmes. No entanto, o regresso de Singer (desta vez como produtor) e a contratação de Matthew Vaughn (‘Kick Ass’), como realizador, reacenderam a esperança. E a verdade é que ‘First Class’ é um filme impecavelmente escrito e genialmente realizado. Momentos como a chuva de mísseis ou o confronto final entre Shaw e Magneto são arrepiantes – quer narrativamente, quer pela forma como Vaughn enche o ecrã. 
 
Todo este talento cinematográfico sai fortalecido por um elenco cheio de boas escolhas. Michael Fassbender (‘Fish Tank – Aquário’) consegue fazer-nos esquecer de Ian McKellen com uma interpretação perfeita de Magneto: carismático e intenso. James McAvoy dá o dinamismo a Professor Xavier que Patrick Stewart não conseguia. E Jennifer Lawrence (a actriz revelação de ‘Winter’s Bone – Despojos de Inverno’) dá a Mystique uma vertente infantil e emocional que a tornam numa personagem bem mais completa.
 
Nem o factor prequela prejudica ‘First Class’. Já sabemos como tudo isto vai acabar, mas a verdade é que o filme de Matthew Vaughn é intenso e emocionante o suficiente para nos manter agarrados do inicio na 2ª Guerra Mundial, ao seu final em plena Crise de Mísseis de Cuba. O contexto histórico é só a cereja no topo de bolo que é este filme. Quem diria que na década de 10 os filmes de super-heróis seriam tão sofisticados e bem trabalhados como ‘X-Men First Class’, ‘The Dark Knight’, ‘Iron Man’ ou ‘Thor’?
 
O Melhor: Michael Fassbender e Jennifer Lawrence reinventando Magneto e Mystique. 
 
O Pior: A primeira cena de acção envolvendo o submarino. Confusa e sub-aproveitada.
 
José Pedro Lopes
 
 

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