«Trust» (Trust – Perigo Online) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
“Trust – Perigo Online”, realizado por David Schwimmer (mais conhecido pelo seu trabalho enquanto actor na série “Friends”), pega num dos temas quentes da actualidade – o abuso sexual de menores usando a Internet como isco, e tenta fazer um filme a partir daí, com resultados díspares. 
Annie (uma minimamente impressionante Liana Liberato) é uma jovem que acabou de fazer 14 anos. Pratica voleibol, e aparentemente tem tudo para ser uma rapariga popular, mas como muitos jovens, encontra no computador, e nas salas de conversação/chats, um refúgio. A certa altura conhece “Charlie”, um “jovem” que também pratica voleibol, e com um historial idílico (a mãe a trabalhar com autistas, o pai a trabalhar para o canal de desporto ESPN… ). Tudo parece correr bem, até à altura em que o jovem diz não estar no liceu…. mas já ter 20 anos. E posteriormente, diz ter 25…. escusado será dizer que o número aumenta ainda mais quando Annie finalmente conhece o suposto rapaz no centro comercial. 
{xtypo_quote_left}um filme ora curioso, ora irritante, com interpretações acima da média, e que se vê bastante bem, para mais tarde não recordar tanto como se devia…  {/xtypo_quote_left}Um filme como uma temática desta natureza merece um tratamento ainda mais sensível do que o costume. Uma pincelada fora, e muito facilmente se pode transformar num exercício sensacionalista, ou de um didactismo pueril, que subestima a audiência. Schwimmer e companhia bem tentam injectar algumas doses interessantes e perspicazes de ambiguidade emocional, e contam com um par de actores capaz de salvar uma ou outra linha de diálogo mais difícil (Clive Owen e Catherine Keener, no papel de pais da jovem). Mas acaba por parecer ainda muito óbvio, ainda muito reportagem “TVI”, em momentos no limiar do ridículo, e num tom que ora irrita pela sua condescendência obsessiva, ora fascina pelo carácter humano que tanto tenta retratar, e vai conseguindo a espaços – nomeadamente numa sequência final que tenta desesperadamente mimicar o final de “Gente Vulgar” de Robert Redford.
 
Em suma: um filme ora curioso, ora irritante, com interpretações acima da média, e que se vê bastante bem, para mais tarde não recordar tanto como se devia… 
   
O Melhor: As boas intenções, e os actores que ainda vão salvando alguma coisa.  

O Pior: Não consegue fugir a lugares-comuns.
 
 
 André Gonçalves
 

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