«Exit Through the Gift Shop» (Banksy – Pinta a Parede!) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
Thierry Guetta descobre que o seu primo é Invader, um artista de rua que desenha e cola ilustrações do antigo jogo Space Invaders pelas ruas. Thierry começa a filmar o seu primo nas suas incursões nocturnas, desenvolvendo uma verdadeira obsessão pela arte de rua ilegal e pelas filmagens. Seguindo artistas diferentes que vai conhecendo pelo mundo fora, Thierry ambiciona conhecer e filmar Banksy, o mítico inglês que é o nome mais popular das alternativa forma de cultura urbana.
 
Este documentário, assinado por Banksy, é uma obra verdadeiramente completa. Na sua primeira metade, revela-se um filme cativante e elucidativo sobre a arte de rua, os seus meandros e as motivações de quem as faz. Consegue-o sem ser propagandista, e na realidade faz um excelente trabalho a mostrar as diferentes correntes e como estes artistas “ilegais” são todos bastante diferentes uns dos outros.
 
{xtypo_quote_left}‘Exit Through the Gift Shop’ é um documentário brilhante, que nos leva ao mundo da arte de rua e depois nos deixa num impasse ideológico {/xtypo_quote_left}A segunda metade é, ainda mais, uma surpresa: ‘Exit’ torna-se um documentário parcial, dominado pelo ponto de vista de Banksy sobre Thierry e a sua evolução para o artista Mr. Brainwash. O filme torna-se narrativo e tenso, e o duelo entre os pontos de vista ganha uma dimensão muito curiosa.
 
É precisamente neste ponto que se levanta a dúvida se ‘Exit’ não será, na realidade, um mockumentary. O Mr. Brainwash da recta final existe na vida real, mas nesta mesma, muitos especulam que este apenas se trata de um actor e que os seus feitos são uma farsa, criada pelo próprio Banksy para dar o mote ao seu documentário. Uma mentira dentro de outra mentira.
 
A verdade é que há certos pontos em que ‘Exit’ não é muito credível: fica a dúvida se seria pela excentricidade e tendência para a dramatização dos seus protagonistas ou se por ser de facto um mockumentary. Mas se somarmos a este documentário brilhante – que foi nomeado para os Óscares –  o excelente ‘Catfish’, é justo dizer que o género documental está a entrar numa nova era, onde poderão, muito bem, ser narrativamente um substituto do cinema de ficção.
 
 
O Melhor: As incursões nocturnas dos protagonistas.
O Pior: O tom de farsa da recta final descredibiliza um pouco o véu que tapa a intriga.
 
 
José Pedro Lopes
 

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