Este conto bizarro passa-se numa universidade americana, onde Smith – um estudante de 18 anos – vive uma experiência de intensa promiscuidade. Como se declara como “indefinido”, ele mantém diversas relações sexuais com rapazes e raparigas que vai conhecendo. No entanto, sonhos estranhos tem vindo a assombrá-lo. O mais preocupante envolve uma rapariga ruiva que é atacada e morta por um grupo de homens com máscaras de animais. Smith decide investigar até que ponto os seus sonhos não terão uma base real. Stella, a sua melhor amiga, tenta ajudá-lo, ao mesmo tempo que lida com a sua ex-namorada, uma bruxa com poderes terríveis.
‘Kaboom’ é uma obra estranha e difícil de definir, típica do ‘arthouse’ mais chique do cinema americano. O seu realizador, Gregg Araki, é um dos fundadores do movimento New Queer Cinema que tenta atingir a total liberdade de expressão sexual. Nesse ponto, este filme é exímio, pois Smith e os demais protagonistas desinteressam-se frequentemente de resolver os problemas da intriga do filme para fazerem sexo uns com os outros, independentemente da orientação sexual.
Filmado com uma RED, ‘Kaboom’ é um filme luminoso e colorido, que nunca assume a sua natureza irreal para se colar a uma estranha subhistória de ficção científica com diversos elementos e momentos de terror (estes particularmente bem conseguidos). É um filme que cheio de surpresas e voltas, e que literalmente começa num registo e acaba noutro – a montagem que o fecha é brilhante.
A inconstância da sua narrativa pode torná-lo por vezes frívolo ou trivial, mas a realidade é que os elementos fantásticos e até apocalípticos do relato dão uma dimensão muito curiosa ao que seria uma comédia sexual divertida e desvairada.
Nota especial para Juno Temple como London, um dos valores mais seguros do cinema indie americano que brilha num filme original mesmo que bastante pretensioso.
O Melhor: As várias e inesperadas dimensões da sua história.
O Pior: Tanta confusão eventualmente leva-nos a desconfiar se isto tudo não será sem significado.
A Base: ‘Kaboom’ é colorido e brilhante, bem actuado e com uma história bizarra e cheia de surpresas. 8/10
José Pedro Lopes

