Evitando o já referido noutras críticas relativo à representação da emigração nos últimos anos no cinema, evitando a conversa já muitas vezes repetida sobre a ideologia burguesa inerente ao cinema, evitando a discussão dos conteúdos deste filme, há qualquer coisa que não funciona bem: com apenas 74 minutos de duração, este filme nem meia-hora deveria durar com a história que tem, tendo sido preferível optar por uma estrutura de curta-metragem. É com repetições, cenas desnecessárias, transições a branco ou a preto, que são preenchidos os minutos. Fica-se com a ideia de que o objectivo é a distribuição comercial do filme como uma longa-metragem.
Como se justifica este filme, com representações medíocres, com o seu passo demasiado arrastado, com a sua visão demasiado pessoal para um tema muito mais complexo? Não se pode argumentar que o tema tem de ser trazido a público, porque o tema acaba por ficar mal servido nesta forma ficcional de forma maniqueísta e estereotipada. Melhor seria um documentário com entrevistas, procurando padrões nas respostas, incongruências nos discursos oficiais e individuais, cruzá-los com os números que foram disponibilizados em papel às pessoas que assistiram a esta sessão. Qual a razão de ser deste filme nesta forma?
Melhor ir ver “A Cidade dos Mortos” do mesmo realizador.
O Melhor: A fotografia.
O Pior: As representações, todos parecem estar a ler.
A Base: Um filme fraco de um realizador que já mostrou que sabe fazer melhor. 2/10
João Miranda

