«Les Amours Imaginaires» (Amores Imaginários) por João Miranda

(Fotos: Divulgação)
Francis e Marie são dois amigos próximos que se apaixonam pela mesma pessoa, Nicolas, alternativo e culto como eles, mas uma eterna cifra na sua relação com os dois. É nesta impossibilidade de ler “O Outro” que se constroem os amores imaginários do título, e é o que vemos, tanto ele, como ela, fazerem, aparentemente incentivados pelo objecto da sua obsessão, chegando a pôr a sua própria amizade em jogo; mas o filme segue (muitas vezes literalmente) os dois amigos, não Nicolas, tornando-se difícil compreender o que é real ou que é imaginado, até ao ponto do conflito e da catástrofe que se adivinha.
É uma overdose de estética, visual e sonora, onde cenas de entrevistas a imitar as “talking heads” típicas de documentários, se misturam com o avançar da narrativa principal e com cenas de música. O peso do estilo é tal que dá ideia de que os personagens não conseguem respirar dentro dele e só as pequenas peças de música nos permitem ver como se sentem. Infelizmente, esse peso também se sente quando se vê o filme. Apesar disso, Xavier Dolan, que escreveu, realizou e desempenha o papel de Francis, consegue ultrapassar essa superfície densa e mostrar o mais básico das personagens numa situação que a maioria de nós já passou o que nos permite indentificarmo-nos com as personagens e as suas acções.
O Melhor: O triângulo amoroso e a amizade do par original.
O Pior: A música torna-se muito intrusiva por vezes.

A Base: Um filme hipster que quase que sufoca sobre o seu próprio peso, mas que se torna suportável pela sua humanidade.7/10

João Miranda

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