«Mother and Child» (Mães e Filhas) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
Chegando já um ano atrasado, mas com o simbolismo acertado de estrear na semana do Dia da Mãe, “Mães e Filhas” é um dos melodramas mais pungentes vistos nos últimos meses. Um retrato ora terno, ora cruel, e sempre inteligente da maternidade nas suas múltiplas facetas, capaz de fazer lacrimejar o espectador mais céptico. 
Pegando mais uma vez na gímnica de cruzar histórias aparentemente desconexas sobre várias maternidades centrado em três mulheres – uma mulher que pretende adoptar uma criança de um orfanato (Kerry Washington); uma mulher que foi dada para adopção e nunca conheceu a mãe (Naomi Watts); e uma mulher que vive constantemente com o remorso de ter dado o seu bebé para adopção aos 15 anos – o argumentista e realizador Rodrigo Garcia (“Six Feet Under”) cria aqui o seu filme mais completo até à data. E para tal volta a contar com a ajuda de um elenco de peso, no qual se destaca naturalmente o trio de mulheres acima citado, em performances francamente reveladoras do seu talento e versatilidade (o caso de Bening sendo possivelmente o mais flagrante, quando no mesmo ano protagonizou “The Kids Are All Right”…) 
Alguns espectadores talvez se queixem da duração excessiva (a ultrapassar as duas horas). Mas em defesa do responsável pela montagem, nenhum momento parece propriamente desperdiçado aqui também, além de que serve para conhecer melhor as personagens… 
Se está numa disposição catártica, dificilmente encontrará melhor proposta em cartaz… 
O Melhor: Bening, Watts e Washington (Rodrigo Garcia, mais uma vez obcecado por mulheres e com a sorte de conseguir algumas das melhores actrizes da indústria…)
O Pior: A gímnica pode já revelar-se cansativa para alguns espectadores, que podem também perguntar-se se o filme justifica uma duração tão elevada. 
A Base: ““Mães e Filhas” é um dos melodramas mais pungentes vistos nos últimos meses. Um retrato ora terno, ora cruel, e sempre inteligente da maternidade nas suas múltiplas facetas, capaz de fazer lacrimejar o espectador mais céptico. ” 8/10

André Gonçalves

 
 

Últimas