«Limitless» (Sem Limite) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
Eddie é um escritor frustrado, bloqueado. Um dia, reencontra o seu ex-cunhado, um traficante de drogas, o qual lhe fornece um comprimido novo no mercado, que lhe abre literalmente a mente, permitindo-lhe usar todo o seu cérebro, ao invés dos 10 ou 20% que ele, como qualquer ser humano, usa de cada vez. Mesmo sem tendo qualquer consciência dos efeitos secundários, Eddie pensa que as coisas não podem ficar piores… e engole o comprimido. 
Preza-se antes de mais (e mais uma vez) a vontade de Hollywood querer fazer grandes produções minimamente originais e com algumas ideias na cabeça, sobretudo após o sucesso de “A Origem” de Christopher Nolan. Mas para um filme sobre o uso ilimitado do nosso cérebro, é irónico reparar que “Sem Limites” tenha de facto severas limitações e ambições modestas. O uso da droga maravilha leva o nosso protagonista a ganhar dinheiro em apostas e compra de acções, tornar-se uma celebridade e encontrar-se tanto com mafiosos como com empresários de topo (mafiosos de fato e gravata, no fundo). Isto enquanto uma narração excessiva serve para nos demonstrar o que o filme raramente não consegue sustentar a um nível visual. Há um ou outro momento (incluindo um vampiresco e cruelmente metafórico) em que o filme se supera e suja um pouco as calças, e aí sim, mesmo com a narração sempre presente sentimos algo minimamente arriscado. 
O realizador Neil Burger, do surpreendente “O Ilusionista”, assina aqui uma fita que parece contente em simplesmente entreter o espectador ao longo da sua duração, estimulando-o a um nível superficial, e sem grandes efeitos secundários ou ressaca do dia seguinte. Pelo menos cumpre a 100% nos seus propósitos – este ainda será um dos filmes mais agradáveis dentro do género que encontrará em cartaz: competente, simpático, eficaz q.b.. E para quem não tinha grandes expectativas, pode até tornar-se uma pequena surpresa. Mas… voltamos à ironia inicial. 
Igualmente competentes são os actores, dentro do que lhes é pedido. Bradley Cooper faz o essencial para ser convincente, embora ainda não seja desta que o actor convença a 100% como actor dramático, e é uma pena ver Abbie Cornish algo relegada para um papel de suporte subescrito que bem tenta espremer. E De Niro bem… continua a fazer dele próprio pela milionésima vez, o que é bom/mau consoante a paciência do espectador para esta fase da carreira do actor. 
Em suma, um filme competente e eficaz, e uma diversão agradável, sim, mas que acaba por se revelar limitada. A ver, numa matiné em que esteja a querer um comprimido audiovisual para não pensar demasiado no que se passa lá fora.  
 
O Melhor: Faz o que tem a fazer sem quaisquer dificuldades aparentes. 
O Pior: Falta de ambição para algo mais. 
A Base: “Um filme competente e eficaz, e uma diversão agradável, sim, mas que acaba por se revelar limitada.“ 6/10

André Gonçalves

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