Um dos verdadeiros trunfos da saga «Scream» era pegar nos clichés de terror e de forma ordenada apresentá-los de forma auto-consciente. Em «Scream 4» isso mantêm-se, especialmente no que toca à regra dos remakes, ainda que o resultado tenho vindo até mim como a da maioria das refilmagens em geral, ou seja, com uma tremenda sensação de «dèjá vu».
E é com pena minha que não entro na euforia dos meus colegas que adoraram este trabalho. «Scream 4» tem situações divertidas, mas no fundo é apenas um reciclar da fórmula com os ingredientes básicos para cativar os fãs sedentos do regresso de Ghostface. Na verdade, o filme até avisa a bom tempo que se as personagens não forem bem trabalhadas, de que nos interessa se morrem ou não. E assim é. «Scream» não assusta, nem nos leva a ficar tristes pela morte das suas personagens. Aliás, quantos filmes são precisos para que continue a haver vítimas que minutos antes de morrerem gozam com os assassinatos para assustar alguém?
Como tal, «Gritos» funciona bem como uma auto-critica, ainda que sacrificando o próprio entretenimento. E tirando o início e o fim, «Scream» é um filme igual aos outros todos. É um best-off, um «hit-parade» do franchise, onde regressam as suas personagens clássicas, e são introduzidas novas.
Nos regressos, Neve Campbell está igual a si mesma, ou seja, entre a vítima e a mulher forte que aprendeu ao longo dos filmes a lidar com uma série de assassinos. Já Gale (Cortney Cox) quer provar que ainda tem estofo para ser uma jornalista respeitada, e mantém a sua maneira de ser astuta. Dewey (David Arquette) por sua vez perde bastante no contexto do franchise e deixa de ser o adorável «nabo», para apenas ser apenas o «tonto» de serviço.
Nas novas personagens, só Hayden Panettiere se destaca, sendo particularmente Emma Roberts uma fraca/irritante/pouco credível candidata ao papel que era de Neve Campbell. Outro exemplo de personagens falhadas são os geeks de cinema, ficando a léguas do que o que Seth Green conseguira com a sua personagem.
De resto, há uma (tentativa) de actualização da saga aos tempos modernos através de tudo o que é gadgets geracionais (videoblogs, telemóveis em todo o lado). Mas acaba por ser muito redundante e pouco expedito.
E mais uma vez fica provado que os geeks andam a falhar em demasia no que toca a trabalhos de culto. Ou se calhar são os estúdios que orientam os filmes em demasia para os geeks. Só isso explica que obras como «Scott Pilgrim», «Kick-Ass» e «Scream 4» não sejam verdadeiros blockbusters, apesar de satisfazerem completamente os seus fãs. Depois não admira que não haja continuação das obras…
O Melhor: O «Clear» bem perto do final
O Pior: Os novos actores. Só Panettiere tem alguma mística
A Base: O filme funciona bem como uma auto-critica, ainda que sacrificando o próprio entretenimento… 6/10
Jorge Pereira
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