«Battle: Los Angeles» (Invasão Mundial: Batalha Los Angeles ) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
‘Battle: Los Angeles’ é uma nulidade. Narrativa e artisticamente, é um projecto baseado em pressupostos que até poderiam ser legítimos mas que o filme activamente os ignora e desrespeita. Este filme de Jonathan Liebesman (da prequela do remake ‘Texas Chainsaw Massacre’ – uma entrada surpreendentemente boa na série) promete ser uma versão realista do que seria a resposta humana a uma invasão extra-terrestre, mais específicamente, de um pelotão de bravos destacado para enfrentar os invasores.
A sua abordagem até é, em seu direito, muito original. O filme não conta com discursos enormes nem perspectivas globais do ataque (como em ‘Independence Day’) – o que descobrimos é tudo do ponto de vista de um grupo de soldados que vai descobrir e enfrentar os atacantes em Los Angeles. No entanto, e para o mal do filme, o que eles têm para descobrir não é de todo interessante. Os extra-terrestres de ‘BLA’ (ou como o filme se poderia chamar, “bla bla bla”) são do género ‘Bicharoco Comum’ – isto que dizer, são o tipo de extra-terrestre insecto que não parece ter muita inteligência mas que usa montes de tecnologia. Se fisicamente imitam bastante os de ‘District 9’, em termos de abordagem surgem como uns estrategas à la ‘Independence Day’ (destruir tudo, ponto final) mas que não pensaram bem no assunto. A realidade é que estes invasores são fraquinhos, desinteressantes e fracamente básicos – nem sei como cá chegaram (provavelmente foi graças a verem ‘War of the Worlds’, já que se deslocaram pelo espaço da mesma forma).
‘BLA’ aposta a sério em ser um filme de guerra, sobre o lado heróico dos militares no seu choque com algo de outro mundo. Liebesman realiza o filme numa estética muito documental, semelhante a filmes como ‘Children of Men’ e ‘District 9’. No entanto, este pressuposto nunca é verdadeiramente respeitado. A banda sonora é por vezes tão activa, que parece que o uso e abuso do ‘zoom’ e da câmara em mão está ali a mais. Os momentos de diálogo entre as personagens são excessivamente dramatizados e estereotipados para a tensão de filmagem de guerra funcionar como em ‘The Hurt Locker’ (outra clara referência estética).
Deveria haver uma regra que à primeira base avisa-se que tipo de humanidade existe num filme. Existem filmes que nos dizem que numa crise a maioria da humanidade seria má e egoísta (‘The Road’ por exemplo), outros que seriamos todos muito colaborativos (‘Armageddon’ mostra que o mundo todo se uniria). Em ‘BLA’ os humanos são todos pura e simplesmente muito heróicos. Nenhuma das suas personagens fica de boca aberta a olhar para a artilharia dos invasores, ou tenta salvar-se a si mesmo ou sequer entre em desespero. De militares a civis, passando por crianças, todos eles tem uma reacção brava e bélica à situação.
O que me leva ao ponto final relativamente a ‘Battle Los Angeles’. Esta versão realista de um combate com extra-terrestres não está interessada em explorar conceitos de ficção científica (os ETs são uma desculpa narrativa) nem sociais ou humanos. Está interessada em ser uma propaganda pró-Guerra. E isto sim, é uma má desculpa para se fazer um filme.
O Melhor: O sentido de diversão de alguns momentos do filme.  
O Pior: O tom militarista e exagerado.
A Base: ‘Battle Los Angeles’ é um filme de acção pró-militarista, que usa os extra-terrestres como um pretexto para explorar “clichés” de guerra. 3/10
José Pedro Lopes 

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