Por tal, a premissa do filme com o pneu assassino pode parecer um desvario de série B, mas está aqui na realidade ao serviço de uma forma artística e algo pretensiosa peça de non-sense. O francês Quentin Dupieux (a.k.a. Mr. Oizo) é muito eficaz na hora de fotografar o filme e dar vida ao disparate que promete. ‘Rubber’ é um filme luminoso, e com grande imagens. A câmara segue de forma perspicaz o pneu na sua cruzada, e as explosões de cabeças (sim, porque o pneu tem poderes telepáticos) são brilhantes: com excelentes efeitos visuais e uma montagem inteligente.
No entanto, é algo constrangedor assistir a ‘Rubber’. A sua premissa é deliberadamente estúpida e sem sentido. Não só por o pneu ter vida, mas devido ao facto das personagens do filme serem ou actores ou espectadores, numa abordagem pouco lógica do conceito de filme dentro do filme. No final de contas, o filme de Dupieux tem muito por onde se olhar e algumas sequencias de verdadeiro humor. De destacar a morte do peru ou o ataque à empregada do hotel, pura diversão disparatada com perfeita execução artística. Mas no final, esta obra revela-se tão frívola como se fosse um mero produto “exploitation”.


