Oh, os irmãos Farrelly. Porventura o duo que nas últimas décadas mais me fez rir às gargalhadas com algo do qual, posteriormente, nos podemos sentir culpados. Pais do politicamente incorrecto na comédia contemporânea. Com um gosto particular por “freaks”, pessoas à margem do que é socialmente aceite ou do que é visto como “normal”. Gordos, aleijados, gémeos siameses, pessoas com QI de 50, …
Houve um tempo em que um novo filme dos Farrelly era visto como um autêntico evento. Esse tempo já passou. Bobby e Peter Farrelly foram amadurecendo aos poucos, e à medida que os seus filmes até se tornavam mais humanistas e sérios no terceiro acto, as audiências começaram a mingar… Com “O Mal-Casado” de 2007, tentaram regredir em parte ao humor mais infantil que os pôs no mapa com os já clássicos e inesquecíveis “Doidos à Solta” e “Doidos por Mary”, mas os resultados já estavam longe da excelência destes dois filmes. E este “Rédea Solta” mantém essa tendência. Esta história de um homem casado (Owen Wilson, no seu registo mais natural) que tem direito a uma semana de folga do casamento para fazer o que bem entender permanece ainda assim um caso curioso e recomendável.
Para todos os efeitos, “Rédea Solta” mantém a marca dos irmãos de fazer o espectador rir-se com situações, bem…. confrangedoras, para não dizer porcas. Só que ao longo da última década, e perante tanta cópia do modelo de “humor de casa-de-banho/sexual”, para teens e não só, desde a saga “American Pie” até aos filmes de Rob Schneider, o espectador ficou cansado, e quer algo diferente ou que o volte a surpreender. Por outras palavras, perante imagens icónicas como a do esperma como gel no cabelo de Cameron Diaz ou do fecho das calças de Ben Stiller corrido no momento errado, o que resta para nos chocar? Tem sido um desafio difícil de resolver, e se bem que o filme não seja de todo a subida da parada que tanto poderíamos esperar, ainda assim resulta em fazer-nos passar um bom tempo.
Mesmo não tendo o quociente de piadas certeiras e nefastas de “Doidos à Solta” ou “Doidos Por Mary”, é mais hilariante e corajoso que as comédias românticas norte-americanas vistas nos últimos meses. Mesmo que o terceiro acto pareça menos sincero que o de um “O Amor é Cego” ou “Agarrado a Ti”, os irmãos ainda sabem como fechar um filme. Melhor, ainda sabem contar uma história, ainda sabem que um filme é mais que um agregado de piadas, e ainda prendem o espectador até aos créditos finais. E sendo assim, este “Rédea Solta” recebe uma recomendação marginal, na esperança de que este seja um mero filme de transição para a dupla. Mais um, neste caso…
O Melhor: Termos uma comédia arrojada que cumpre as expectativas mais básicas de fazer o espectador rir. Várias vezes.
O Pior: Sabermos indubitavelmente que já vimos melhor desta dupla. Não há aqui um momento memorável capaz de rivalizar com o sémen no cabelo de Cameron Diaz. Embora um ou outro momento bem tente.
A Base: Mesmo não tendo o quociente de piadas certeiras e nefastas de “Doidos à Solta” ou “Doidos Por Mary”, é mais hilariante e corajoso que as comédias românticas norte-americanas vistas nos últimos meses. Mesmo que o terceiro acto pareça muito menos sincero que o de um “O Amor é Cego” ou “Agarrado a Ti”, os irmãos ainda sabem como fechar um filme. (…) E sendo assim, este “Rédea Solta” recebe uma recomendação marginal… 6/10
André Gonçalves

