‘The Tempest’ (A Tempestade) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

A adaptação de A Tempestade, obra de William Shakespeare, que narra a história de um duque de Milão destronado, à procura de vingança contra o seu irmão, Próspero. Para os cinemas, a cineasta americana Julie Taymor, directora do filme, alterou o sexo do protagonista, sendo agora Próspera, uma feiticeira que comanda uma ilha mágica e os seus habitantes.
 
Julie Taymor pode ter um “background” forte no teatro mas a sua carreira no cinema já conta com dois títulos de grande qualidade: ‘Frida’ e ‘Across the Universe’ (brilhante aventura musical inspirada pelos Beatles). No entanto, na hora de fazer este ‘Tempest’ a autora esqueceu-se do que diferencia o teatro do cinema e faz uma obra estanque e monótona, frustrando assim as excelentes performances do seu elenco. ‘Tempest’ passa-se num pequeno número de cenários, não particularmente bem conseguidos, onde os actores/personagens declamam os textos de Shakespeare uns aos outros com dramatizada mas desmedida intensidade. A experiência é interessante para quem apreciar a obra-base mas revela-se redundante para forma como a arte cinematográfica não toma partido nesta interpretação.
 
De ressalvar o actor Djimon Hounsou (‘Amistad’) que enche o ecrã com a sua presença física e uma prestação de notória intensidade.
 
O melhor: Djimon Hounsou
O pior: A falta de ritmo.
 
A base: ‘Tempest’ é uma peça de teatro filmada sem nenhuma real mais-valia. 4/10
 
José Pedro Lopes  

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