Lisa (Witherspoon) é, desde criança, uma atleta de alta competição e tem como grande paixão o baseball, pelo que, quando é dispensada da sua equipa, toda a sua vida deixa de fazer sentido. Sem saber que direcção tomar, Lisa começa a sair com Matty (Wilson), uma estrela com um ego enorme e muito mulherengo.
George (Rudd) é um sério homem de negócios, que tem uma relação bastante complicada com o seu pai – Charles (Nicholson). No entanto, George é injustamente acusado de um crime fiscal, e o seu pai é a única pessoa que o pode ajudar.
Quando tudo parecia estar a desmoronar-se na vida de Lisa e George, os dois conhecem-se na pior noite das suas vidas, e vão descobrir que também existem coisas maravilhosas…
“Tens a Certeza?” possui também uma componente amargamente irónica no seu título (parece ser uma tendência nestes dias…).
A certa altura, uma das personagens diz algo como “temos que seguir um objectivo até ao fim e não ficar pelo meio, se não queremos ser meio-felizes”. Pois este torna-se muito rapidamente um filme de deixar os espectadores meio-felizes.
Longe dos filmes fascinantes que James L. Brooks nos trouxe no passado (êxitos incontestáveis como “Laços de Ternura”, “Edição Especial” ou “Melhor É Impossível”), mas também longe do desastre com que muitos já o classificaram, “Tens a Certeza?” é um filme incerto, permanentemente preso num limbo e pelo menos 20 minutos demasiado longo.
Mais frustrante é, por ser um filme ainda competente, não saber apontar ao certo o que falha aqui, porque nada falha a um ponto desastroso. E porque a pegada de Brooks ainda está aqui muito presente, nos diálogos longos prontos para destacar o humanismo das personagens, e nos actores que até estão todos bem dentro do possível, embora todos já estiveram melhor algures noutros filmes.
O realizador até tentou arranjar uma protagonista ligeiramente diferente da norma – deixamos de ter uma secretária para termos uma atleta de “softball” – embora permaneça quase tudo na mesma.
Mas o que temos aqui não chega de facto para sairmos sequer satisfeitos da sala. É pena.
O Melhor: Sentir ainda a chama dos diálogos que Brooks nos habituou ao longo das últimas décadas.
O Pior: Sentirmos que não estamos a ver um realizador e equipa a darem o seu melhor.
A Base: Longe dos filmes fascinantes que James L. Brooks nos trouxe no passado, mas também longe do desastre com que muitos já o classificaram, “Tens a Certeza?” é um filme incerto, permanentemente preso num limbo e pelo menos 20 minutos demasiado longo…5/10
André Gonçalves

