A médica Juliet Dermer muda-se para um apartamento renovado em Brooklyn, no rescaldo de uma separação. O seu senhorio Max recebe-a bem e a sua amizade acaba por se revelar essencial no processo de recuperação de Juliet. Só que se Max é apenas um amigo para Juliet, já este é completamente obcecado por ela. O apartamento renovado tem uma série de paredes falsas e entradas secretas. Durante a noite, enquanto Juliet dorme, Max entra no apartamento para viver as suas fantasias.
‘The Resident’ é, à primeira vista, um “thriller” perfeitamente vulgar e a sua escolha para filme de abertura do Fantasporto parece ser um bocado difícil de perceber. A verdade é que o realizador Antti Jokinen acreditava que conseguia pegar numa premissa vista e revista em outros filmes e injectá-la com nova vida atrás da sua mestria na hora de realizar (importada do mundo dos videoclips). A verdade é que, durante algumas partes do filme, ele efectivamente consegue. ‘The Resident’ conta com dois segmentos de verdadeira tensão e alguns arrepios: ambos baseados em revermos uma secção anterior do filme de outro ponto de vista.
No entanto, a história do filme depressa percorre terreno óbvio; que Juliet irá revelar-se uma lutadora e que Max é ainda mais maluco do que parece. O actor Jeffrey Dean Morgan (‘Watchmen’) cria um vilão mais emocional do que a personagem linear prometia. Isto acaba por ser uma pena: Morgan tem alguns momentos fantásticos mas está, frequentemente, a desperdiçar o seu talento em exageros sem sentido solicitados pelo argumento.
Há que reconhecer a competência do filme. Apesar de uma história tão banal e uma protagonista tão desinteressante (Hilary Swank não é, para nenhum efeito, uma boa actriz), Antti Joniken consegue nos manter presos ao ecrã e por vezes nos surpreender. Isto até aos quinze minutos finais: mera confrontação nas linhas da rotina do gato e do rato.
O melhor: As duas revisões situadas no meio do filme, uma do ponto de vista de Max e outra do ponto de vista das câmaras.
O pior: Tudo é muito óbvio.
A base: ‘The Resident’ é um “thriller” banal e sem surpresas mas executado acima do nível normal do género. 6/10
José Pedro Lopes

