Natali reinventa o mito de Frankenstein neste seu novo filme: Clive e Elsa são dois cientistas que fazem estudos no campo da genética – eles procuram criar um novo organismo celular que se seja resistente a doenças. No entanto, os resultados escasseiam e o seu projecto é cancelado. O casal decide continuar com a experiência de forma ilegal, combinado os genes alterados que tem vindo a criar com os humanos. O resultado é um nova criatura chamada Dren, uma criança estranha e com um desenvolvimento imprevisível.
‘Splice’ é um filme bastante estranho, mesmo para a cinematografia de Natali. O seu mote parece o de uma história clássica (ao contrário das premissas arrojadas do seus demais projectos) mas o seu desenvolvimento dá voltas inesperadas para um filme de Hollywood. O que começa como uma versão moderna de Frankenstein evolui para o terreno do erotismo e do terror mais gótico. O seu desfecho tem vindo a ser considerado dos finais mais desconcertantes dos últimos anos.
Os efeitos especiais que dão vida a Dren são irrepreensíveis, e a actriz francesa Delphine Chanéac joga a personagem com as doses certas de sensibilidade, infantilidade e provocação – roubando todo o protagonismo às competentes prestações de Adrien Brody e Sarah Polley.
Se Vincenzo Natali era um grande autor do fantástico indie, fazendo grandes ideias com pouco (com nota excepcional para ‘Nothing’, um verdadeiro rasgo de génio), a sua primeira aposta em Hollywood é um verdadeiro triunfo. ‘Splice’ é visualmente assombroso, narrativamente provocador e cinematograficamente rico.
Espero só que para a próxima não tenhamos que esperar tanto tempo para ter o seu filme no nosso país.
Exibição no Fantas: 4 de Março, 23h15
O Melhor: Dren, uma criatura horrorosa e carinhosa, cheia de surpresas.
O Pior: A recta final dispersa-se um pouco.
A base: ‘Splice’ é terror gótico ao seu melhor, fortalecido por excelentes actores e efeitos visuais perfeitos. 9/10
José Pedro Lopes

