“O Discurso do Rei” é sim um filme bem produzido, com aprumo, humor q.b. (com os interessantíssimos exercícios vocais, por exemplo), e com tudo no sítio, quer em termos de reconstituição histórica, quer em interpretações (fazendo um grande destaque para Colin Firth na figura de Príncipe Albert de York/Rei George VI, o Gago, outro mais que provável vencedor de Óscar). E no entanto, falta-lhe algo que para mim é essencial: diferença, fogo, poesia. Sem isso, era como se tivesse ligado a BBC e estivesse a ver uma mini-série histórica.
É certo que uma história como a de um Príncipe gago que se torna Rei ,um pouco contra a sua vontade, em pleno início da 2ª Guerra Mundial, estranhamente nunca retratada em filme, merece sem dúvida ser visitada. Mas é tudo tão linear, tão próximo da política e de uma época negra para a Humanidade e ao mesmo tempo parecendo tão distante. E acima de tudo, há aqui uma falta de conflito que espicace mais o interesse do espectador. Fazer o foco do conflito da gaguez do protagonista é apesar de tudo uma ideia original, é verdade. Mas talvez por isso, mereceria um filme menos convencional do que temos aqui.
Ainda assim, é obviamente um filme recomendável. Mas será que será lembrado daqui a 10 anos, se não tivermos os Óscares na cabeça?
O Melhor: Colin Firth
O Pior: Ser tudo tão convencional e seguro de si, sem grandes rasgos de génio/loucura.
A Base: ““O Discurso do Rei” é sim um filme bem produzido, com aprumo, humor q.b., e com tudo no sítio (…). E no entanto, falta-lhe algo que para mim pelo menos é essencial: diferença, fogo, poesia…6/10

