
Natalie Portman está em alta. Depois do ter recebido os elogios de uma vida pelo seu papel de Nina Sayers em “Black Swan”, a actriz tem cinco filmes bem diferentes para estrear em 2011 (e isto sem contar já com um que ficou em lista de espera dois anos até vir agora capitalizar neste seu sucesso). O primeiro deles é este “Sexo Sem Compromisso” , uma comédia inofensiva e inconsequente, mas também altamente competente, “cute” e com charme suficiente para se destacar no meio do lixo cinematográfico que encontramos nesta temporada de início de ano – filmes oscarizáveis aparte.
A história de “Sexo Sem Compromisso” encontra-se toda espalhada no título e é tão velha como o conceito de “amizade colorida”. Um rapaz e uma rapariga vão-se cruzando no tempo, ao estilo de “Um Amor Inevitável”, até que um dia, o rapaz acorda na casa da rapariga, tem sexo com ela, e… bem, decidem ter uma amizade com benefícios carnais. E a rapariga até é quem está mais empenhada na ideia, porque vida de médica não é fácil, e há aqui esqueletos emocionais envolvidos e isso tudo. “Tudo bem”, pensa quem nunca viu uma comédia romântica na vida. Pois, não espere aqui grandes sobressaltos, embora o realizador Ivan Reitman (sim, o mesmo de “Os Caça-Fantasmas”), em registo anónimo, tente aqui espicaçar uma ou outra vez os procedimentos, com ajuda de uma piada mais certeira do argumento de Elizabeth Meriwether.
Apesar disto tudo, o espectador não vai ver um filme destes a pensar que vai sair de lá a pensar que viu o filme mais ousado e original do ano, por isso há que ajustar o criticismo ao género e ao público (e às expectativas com que entramos na sala). E para quem duvidava que um par Ashton Kutcher-Natalie Portman podia resultar logo de início, a verdade é que… funciona, estranhamente. Ou melhor, primeiro estranha-se, depois não os queremos separados. Portman em particular, neste seu renascimento enquanto estrela, possui um potencial tremendo para o género, demonstrando que poderia muito bem ter sido a namoradinha da América há bem mais tempo se as cartas tivessem sido jogadas de outra forma – e se Reese Witherspoon não tivesse roubado tudo o que fosse papel de “all american girl” no género. E Kutcher, mesmo continuando preso ao mesmo registo (só terá saído efectivamente dele em “O Efeito Borboleta”), amadureceu dentro dum género que sempre o acolheu.
Em suma, se comédia romântica é um género que vai apreciando quando calha, esta será das melhores propostas do género que verá em algum tempo vindas de uma grande produtora. Caso contrário, porque é que continuou a ler esta crítica até ao final?

