«Buried» (Enterrado) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

O cinema espanhol é uma máquina: todos os anos, sem falta, lança produtos com qualidade artística e estofo comercial para conquistar o mundo. ‘Buried’ é um excelente exemplo desta capacidade de criar bons filmes que todo o mundo quer ver. Esta produção espanhola caçou um dos actores mais em alta em Hollywood: Ryan Reynolds (‘X-Men: Wolverine’, ‘Green Lantern’) mas não o usou apenas como um mecanismo de promoção: Reynolds dá aqui uma interpretação verdadeiramente surpreendente, e a sua prestação é um ‘tour de force’ pelo espectro das emoções humanas.
O filme começa connosco e Reynolds fechados dentro de um caixão de madeira, debaixo da terra. O protagonista luta por sair mas depressa percebe que não tem forma de se salvar. É aí que um misterioso telemóvel toca.
Não vale a pena contar mais sobre ‘Buried’ até porque seria um sacrilégio. A obra de Rodrigo Cortes (‘Dirty Devil’) é exímia na hora de levantar o véu sobre o que a personagem de Reynolds sabe ou não sabe, é ou não é. Resta apenas avisar que claustrofóbicos devem evitar a todo o custo o filme, e todos os demais não podem perder uma fita que surpreendente pelo estofo que tem e para fazer justiça ao desafio que lança até ao fim.
Apesar de confinado a um espaço e a um actor, ‘Buried’ nunca escasseia de ideias e nunca perde ritmo. Não parece uma curta esticada para longa, até pelo contrario, é um filme que cresce e joga connosco, como se o tempo tivesse do seu lado. Ryan Reynolds tem aqui uma prestação fantástica (o papel também o permitia, motivo pelo qual o actor de Hollywood aceitou fazer uma produção de orçamento relativamente pequeno).
De notar também o trabalho fotográfico que está exímio: dentro do caixão, o protagonista escasseia de luz e é iluminado por vezes com um isqueiro, outras vezes com um led de luz ou o ecrã de um telemóvel.
 

O Melhor: O fantástico argumento e a performance cheia de energia de Ryan Reynolds.
O Pior: Apesar de interessante, talvez o final pudesse ter seguido um caminho mais audaz.

 
 
 José Pedro Lopes
 

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