‘Hereafter’ (Hereafter – Outra Vida) por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

“Hereafter” é o novo filme de Clint Eastwood, uma história que roda à volta de três personagens e as suas relações com a morte, quer pela capacidade de contactar os mortos, quer por ter passado por ela ou por alguém próximo ter morrido. É um filme diferente dos que nos costuma apresentar, mas com a mesma realização rígida, típica de Eastwood.
Ainda que possamos tentar ignorar o tema base do filme – que tenta preventivamente lidar com essas críticas mostrando que há muitos esquemas fraudulentos e sugerindo que nem todas as pessoas estão preparadas para aceitar a verdade, chegando-se a indiciar uma conspiração global para abafar qualquer estudo científico nesta área – a forma como os temas são exploradas têm a mesma rigidez da história e da realização de Clint. O ritmo assumido é lento e com uma tentativa inepta de assumir proporções emocionais, reforçada pela banda sonora e pelos planos, mas falhando sempre por envolver ou sequer permitir qualquer empatia com as personagens, apesar do esforço impressionante dos actores.

Este é na realidade um telefilme melodramático típico do final dos anos 70, com a mesma estética e a mesma capacidade empática, encharcado de CGI atrapalhado e uma tentativa de unir eventos mundiais numa coerência narrativa forçada e cheio do medo de morte que deve perseguir Clint na sua idade. Poder-se-ia chamar “Clint tem medo de morrer” que faria, pelo menos, mais sentido. Tal como esses telefilmes, de certeza que irá agradar às nossas avós.

Não se assistia a um meltdown assim desde que Shirley McLane começou a enveredar pelos mesmos caminhos, esperemos que o público seja mais perdoador de Eastwood e que este ultrapasse rapidamente esta fase.

Duas horas da minha vida que não vou recuperar e a sensação da falta de um grande almoço e de um sofá onde me espreguiçar, como quando via os telefilmes ao fim-de-semana à tarde.

O Melhor: Matt Damon.
O Pior: O CGI e a forma pouco subtil de filmar o tema.

A Base: Este é na realidade um telefilme melodramático típico do final dos anos 70 e poder-se-ia chamar “Clint tem medo de morrer”, o que faria, pelo menos, mais sentido…3/10

João Miranda

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