‘Scott Pilgrim vs the World’ por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Scott Pilgrim (Michael Cera) sofre de “preguicite” aguda, muitos problemas de amores e toca numa banda que soa muito mal – os Sex Bob-Omb. Quando ele começa a namorar com Knives – uma chinesa de 17 anos – os seus amigos ficam escandalizados. No entanto, o seu pequeno mundo precioso vai ficar de pernas para o ar quando conhece Ramona Flowers, uma excêntrica e muito “cool” rapariga de entregas do Amazon.ca cujo que muda semanalmente de cor de cabelo. Scott apaixona-se automaticamente e loucamente por ela. Mas o problema é que para namorar com Ramona, Scott tem de lutar – aliás, derrotar – os setes ex-namorados desta, todos eles com super-poderes e má atitude.

O salto de Edgar Wright (dos brilhantes ‘Shaun of the Dead’ e ‘Hot Fuzz’) para Hollywood não podia ser com um projecto mais à sua medida: adaptar os seis volumes da saga ‘Scott Pilgrim’ de Bryan Lee O’Malley, uma banda desenhada humorística recheada de personagens originais, lutas vistosas que cruzam o imaginário dos videojogos com o manga.

Se por vezes as adaptações de livros e comics parecem ter pouco ritmo por tentarem por informação a mais e não adaptarem o material à linguagem cinematográfica, ‘Scott Pilgrim’ parece funcionar de maneira oposta. O filme de Wright é incansável – nos detalhes, no ritmo e no espírito. É um filme que começa a 200 kms à hora e nunca pára. Raros são uns casos de uma adaptação tão fiel e ao mesmo tempo tão ambiciosa como esta.

Como filme, o que nos deparamos é com uma comedia romântica / manga de lutas / videojogo de plataformas absolutamente original, que conta com uma banda sonora brilhante (as músicas da banda protagonistas são todas de Beck), interpretações surpreendentes (Mary Elizabeth Winstead como Ramona e Kerian Culkin como o amigo gay estão a um excelente nível) e uma edição ultra-elaborada e imaginativa. Só a escolha de Michael Cera foi mais conservadora – ele era a aposta mais segura para interpretar Scott Pilgrim devido ao seu estatuto de nerd do indie rock cinematográfico graças a filmes como ‘Juno’ e ‘Youth in Revolt’.

‘Scott Pilgrim’ não é um filme para todos os gostos, e o seu ritmo ultra-rápido deverá cansar quem não adorar videojogos, indie rock e manga. Mas quem adorar este imaginário e sempre esperou que os recursos de Hollywood e um realizador visionário pegassem no género com uma seriedade louca, que se prepare para atirar moedas ao ecrã quando aparecer a “Continue?” e a contagem numérico no final. ‘Scott Pilgrim’ é um sonho nerd tornado realidade.

O melhor: Edgar Wright realiza e edita ‘Scott Pilgrim’ como nunca imaginaríamos ser possível.

O pior: Não haverá sequela… 

A base: Juventude parva + Romance parvo + Videojogos + Manga + Indie Rock + Edgar Wright a 200 à hora. 10/10

 

José Pedro Lopes 
 
 

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