«Monsters» (Zona Interdita) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
 

O México está em quarentena devido a uma infecção extra-terrestre cuja manifestação mais visível são uns monstros gigantes que percorrem o seu território deixando um rasto de destruição. Andrew é um fotografo que tenta fotografar uma das criaturas no que considera ser uma oportunidade única de lançar a sua carreira. No entanto, o seu patrão telefona-lhe com instruções bem diferentes: ele tem de encontrar a sua filha rebelde de nome Samantha e trazê-la de volta para os EUA.

‘Monsters’ é um “road movie” ambientando num México em estado de sítio, dominado por duas performances brilhantes que nos prendem a esta aventura. O próprio realizador Gareth Edwards confessou que a grande inspiração para esta sua obra era ‘Close Encounters of the Third Kind’ de Steven Spielberg e ‘Lost in Translation’ de Sofia Coppola. Por tal, é inevitável que os tais ‘Monsters’ do título sejam pouco mais do que uma nota de rodapé no que pretende ser um romance  entre duas almas perdidas num mundo que perdeu a sua alma.

Edwards e os seus protagonistas – os únicos actores pagos do projecto – rodaram o filme seguindo apontamentos e esboços de cenas e arriscando no improviso. As filmagens duraram algumas semanas na América Latina e custaram pouco mais do que 300 mil libras. Regressado ao Reino Unido, Edwards tratou de terminar o filme com extensas dobragens (o som que captou revelou-se quase inutilizável) e com a conceptualização dos monstros e a sua criação a computador.

A obra final não transparece este pressuposto. ‘Monsters’ revela-se um filme brilhantemente fotografado com momentos visualmente impressionantes (como o muro que separa os EUA do México ou a sequencia da selva), com diálogos conviventes e uma evolução narrativa forte e coesa. Tudo isto graças ao exímio trabalho dos actores Scoot McNairy e Whitney Able (‘All the Boys Love Mandy Lane’) – esta última enche o ecrã de carisma e sensibilidade.

O marketing do filme tentou colar ‘Monsters’ ao sucesso de ‘District 9’ do ano passado. Se ‘Monsters’ não oferece grande coisa na frente das criaturas (é um filme muito modesto nos efeitos visuais) mas conta com vários pontos em comum com o sucesso sul-africano de 2009: é um filme sobre como os humanos lidam com a presença extra-terrestre, liderado por personagens cativantes e um contexto politico mordaz, e uma história com uma grande capacidade de nos prender do início ao fim.

Será provavelmente difícil convencer o público sci-fi a ir ver ‘Monsters’ se avisarmos que os monstros são cinco minutos do filme, e dizer aos fãs de Sofia Coppola e Wong Kar Wai que este filme é para eles. Mas acreditem que ‘Monsters’ é daqueles filmes que depois de começarmos a ver, ficamos envolvidos até ao seu apaixonado final. 

 

O melhor: O duo protagonista mantém-nos presos a esta aventura.

O pior: Os efeitos especiais são modestos demais na recta final.

A base: ‘Monsters’ é cinema indie ao seu melhor – apaixonado e inspirado. 9/10

José Pedro Lopes

 

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