Com uma fotografia excelente, “Winter’s Bone” tem um estilo muito bem definido, com a música de artistas locais e uma iconografia americana muito específica, em todas as cenas de interior, sobrecarregadas de fotografias e bibelôs, e as roupas e acessórios usados. Numa das cenas, Ree entra na celebração de uma festa e a câmara demora-se na cantora e nos músicos, num momento de extrema beleza. Em vez de afastar o público, estes elementos contribuem para a coesão do ambiente e para a imersão na vivência destas pessoas.
Interesse social e beleza aparte, este é um filme difícil, com cenas muito tensas e algumas muito desagradáveis, não pelo que se mostra, mas pelo que se sugere. Apesar disso, este é um exemplo do bom cinema independente americano (foi criado e premiado em Sundance), um bem-vindo desvio aos personagens peculiares e histórias a tocar o absurdo que têm povoado este estilo. No final dos anos irá aparecer de certeza nos tops de muitos críticos e é possível que daqui a uns meses seja pelo menos nomeado para alguns prémios.
O Melhor: Jennifer Lawrence (Ree), que dá uma lição de contenção e expressividade a muitas actrizes estabelecidas.
O Pior: A definição inicial das personagens é incompleta e não compreendemos na totalidade a situação de Bree.
A Base: um exemplo do bom cinema independente americano, um bem-vindo desvio aos personagens peculiares e histórias a tocar o absurdo que têm povoado este estilo…8/10

